A inadimplência das empresas brasileiras bateu um novo recorde histórico. Segundo dados atualizados da Serasa Experian divulgados recentemente, o país atingiu a marca inédita de 9,3 milhões de empresas inadimplentes em agosto de 2026, ou seja, nem elas conseguem mais pagar as contas. Esse número representa uma alta de 14,3% na comparação com o mesmo período do ano passado.
A combinação de juros restritivos (taxa Selic elevada) e a paralisia da atividade econômica continuam pressionando severamente o caixa dos negócios, que têm recorrido a empréstimos bancários apenas para financiar o dia a dia e manter a operação funcionando.
O volume financeiro e o perfil dos débitos evidenciam a complexidade do cenário atual.
As dívidas em atraso acumuladas pelas empresas alcançou R$ 244,4 bilhões, distribuídos em 68,2 milhões de contas negativadas. Cada empresa no vermelho carrega, em média, 7,4 contas atrasadas, somando um passivo médio de R$ 26.355,13 por empresa.
A maior parte dos débitos (75,6%) vem de setores não financeiros, como empresas de Serviços (31,7%), seguidas de bancos e cartões de crédito (19,7%).
Pequenos sofrem mais
As micro e pequenas empresas (MPEs) e os Microempreendedores Individuais (MEIs) representam a enorme fatia da crise corporativa. Do número de negativados, 8,8 milhões são micro e pequenos negócios. Isso significa que 95% dos CNPJs em atraso pertencem a essa categoria.
Esses negócios possuem estruturas mais vulneráveis e menor poder de negociação para absorver os choques causados pelo crédito caro e custos operacionais elevados, somado à retração da economia.
Setores mais afetados
A incapacidade de pagar as dívidas e outros compromissos afeta, principalemente o setor de Serviços (56% das empresas), seguido pelo Comércio (32%) e pela Indústria (8%). Os Estados líderes em inadimplência são São Paulo (3,17 milhões de CNPJs), Minas Gerais (927,4 mil) e Rio de Janeiro (879,9 mil).


