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quinta-feira, outubro 22, 2026

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Fim de Namoro

Alexandre Collares

Nos últimos dias, o presidente Lula tem se comportado como um namorado que sabe que vai levar um pé na bunda e tenta evitar isso a qualquer custo.

Antes de tudo, é preciso dizer que não há nada de errado em terminar um namoro. Quando um dos enamorados já não sente mais aquelas borboletas na barriga, quando o coração já não dispara na presença (ou na ausência) do outro, quando seus anseios não são mais atendidos ou quando seus sentimentos já não são correspondidos.

Por outro lado, também não há nada de errado em buscar manter a chama acesa. É legítimo que um dos dois pombinhos, na iminência do fim da relação, busque chamar o outro à razão, faça juras de amor eterno, prometa o impossível, diga que vai mudar seu comportamento e peça que lhe deem só mais uma chance.

Mas sabemos como as coisas funcionam. Cantam os poetas que “a emoção acabou, que coincidência é o amor, a nossa música nunca mais tocou”, ou “Eu quis dizer, você não quis escutar, agora não peça, não me faça promessas”. E, como a vida imita a arte, aqui estamos diante de um Lula à beira do abismo que cavou com os próprios pés.

Lula promete o impossível diante de um eleitor cansado de mentiras, escândalos e traições. Nos últimos dias, tem feito juras de amor eterno ao eleitorado, mas, assim como o namorado que viu sua máscara cair e não aceita o fim do namoro, também vem demonstrando rancor e ódio perigosos.

Na sexta-feira, dia 16, em um comício em Minas Gerais, o presidente Lula ameaçou o governador eleito, dizendo a seguinte frase: “Ele não precisa me apoiar, só tem que ficar quietinho, porque ele só tem a ganhar no final das eleições”.

Para além dessa demonstração de relação abusiva, Lula também tem prometido o impossível aos eleitores. Numa tentativa desesperada de manter essa relação por mais quatro anos, nas últimas duas semanas, Lula aumentou o Bolsa Família para R$ 691, prometeu perdoar a dívida de R$ 12 bilhões dos MEIs e zerou os impostos sobre a gasolina e o óleo diesel por 30 dias.

Aqui, o namorado prestes a ser deixado usa o cartão de crédito da namorada para presenteá-la. Compra flores, leva a moça para jantar e a presenteia com um belo solitário, como quem diz: “Sou o único que te entende, o único que te conhece e o único capaz de te amar de verdade”.

Mas tudo terá sido em vão. Lula sabe disso. Ele sabe que não será reeleito. O namoro vai acabar, a fatura do cartão de crédito vai chegar no final do mês e não haverá dinheiro para pagá-la.

E se por acaso o namoro não acabar? Se a namorada resolver dar mais uma chance e prolongar essa relação por mais tempo?

Nada muda, infelizmente. A fatura do cartão vai ser entregue do mesmo jeito e o dinheiro para pagá-la continuará inexistindo.

*Alexandre Collares é advogado

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