Comércio varejista segue estagnado, enquanto as vendas de alimentos e bebidas recuam. Resultado acende o alerta sobre o poder de compra das famílias e o desempenho da economia.
O consumidor parece estar cada vez mais cauteloso. O tradicional “estou só dando uma olhadinha”, antes associado a quem entra em uma loja sem intenção imediata de comprar, ganha outro significado quando até as vendas de produtos essenciais começam a perder força. A queda na comercialização de alimentos e bebidas, somada à estagnação do comércio varejista, acende uma luz vermelha para a economia.
Em agosto, o volume de vendas do comércio varejista brasileiro cresceu insignificante 0,1% em relação a julho, segundo a Pesquisa Mensal de Comércio (PMC), divulgada nesta quinta-feira (15) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado, praticamente uma paralisia, veio após uma retração de 0,8% no mês anterior. A média móvel trimestral voltou a registrar variação negativa de 0,1%, sinalizando a dificuldade do setor.
O cenário é ainda mais preocupante quando se observa o comportamento de segmentos importantes para o orçamento doméstico. As vendas de hipermercados, supermercados, produtos alimentícios e bebidas caíram 0,3% em agosto, na comparação com julho. Móveis e eletrodomésticos apresentaram retração ainda maior, de 4,2%.
A redução das vendas de alimentos merece atenção especial. O recuo em um segmento ligado ao consumo cotidiano constitui um sinal de alerta. Quando o comércio perde fôlego até em áreas essenciais, é necessário investigar se o orçamento familiar está sendo pressionado pelo endividamento ou pela perda de poder de compra.
A situação também não é animadora no comércio varejista ampliado, que inclui, além das atividades do varejo tradicional, veículos, motocicletas, peças, materiais de construção e o atacado especializado em produtos alimentícios, bebidas e fumo. Nesse conjunto, o volume de vendas recuou 0,2% em agosto, na comparação com julho. A média móvel trimestral apresentou queda de 0,3%.
Os números expõem uma realidade menos confortável do que sugerem discursos otimistas sobre o desempenho da economia. O recuo nas vendas de alimentos reforça a necessidade de acompanhar de perto as condições de consumo da população.
O sinal de alerta está aceso. Afinal, quando o brasileiro começa a restringir as compras, inclusive em segmentos essenciais, a questão deixa de ser apenas o movimento das lojas e passa a envolver a capacidade das famílias de manter o padrão de consumo.


