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sábado, junho 6, 2026

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Brasil avança no ranking do crime

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O Brasil passou da 22ª colocação para o 14º lugar entre os países com maior presença do crime organizado, segundo o Índice Global de Crime Organizado 2025, divulgado pela Iniciativa Global contra o Crime Organizado Transnacional (GI-TOC). O levantamento avalia 193 países com base em dois critérios principais: o nível de criminalidade e a capacidade de resposta do Estado.

No caso brasileiro, o relatório aponta um avanço expressivo das facções, a expansão do tráfico de drogas e a crescente infiltração do crime nas instituições públicas. Embora o país tenha apresentado leve melhora na chamada “resiliência institucional”, subindo da 94ª para a 86ª posição nesse quesito, ainda permanece entre as nações com alta criminalidade e baixa capacidade de enfrentamento.

O estudo mostra que o Brasil alcançou uma pontuação média de 7,07 em uma escala que vai até 10, ficando ao lado de países como México e Rússia. O relatório mostra que o problema deixou de ser localizado para se tornar sistêmico. O país é descrito como mercado, rota e laboratório de múltiplas formas de crime: tráfico de drogas, extração ilegal de minérios, contrabando de armas, garimpo clandestino, pesca predatória e lavagem de dinheiro.

O crime organizado, segundo a GI-TOC, não apenas se expandiu territorialmente, mas passou a exercer influência política e econômica, corroendo a estrutura do Estado e se infiltrando em órgãos de segurança e de justiça.

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Apesar de o governo alegar avanços no combate à criminalidade, a realidade exposta no relatório indica o contrário. Facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho ampliaram suas operações para além das fronteiras nacionais, controlando rotas internacionais de tráfico que passam por países vizinhos e alcançam a Europa e a África.

Na Amazônia, a ausência de controle estatal tem permitido a atuação de redes criminosas envolvidas em extração ilegal de madeira, ouro e peixes ornamentais, o que agrava a perda de soberania sobre vastas áreas da floresta.

A GI-TOC aponta ainda que a fragilidade institucional e a falta de coordenação entre os poderes públicos favorecem o fortalecimento das organizações criminosas. Em muitas regiões, principalmente nas periferias urbanas e nas fronteiras, o Estado é substituído por milícias ou facções que impõem suas próprias regras, cobram taxas e oferecem “serviços” que o poder público não consegue garantir. Essa substituição do Estado por estruturas paralelas de poder representa o sinal mais claro de perda de autoridade e de erosão institucional.

Os especialistas alertam que, se o país não adotar uma política integrada de segurança, inteligência e desenvolvimento social, o crime organizado poderá se consolidar como um poder paralelo permanente. O relatório ressalta que, embora ainda não se possa afirmar que o governo tenha perdido completamente o controle, o avanço das redes criminosas e o enfraquecimento das instituições indicam que a fronteira entre legalidade e ilegalidade está cada vez mais difusa.

A escalada do crime, somada à impunidade e à leniência política, confirma que o Brasil vive um momento crítico, em que a segurança pública, a confiança nas instituições e a própria soberania nacional estão em risco.

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