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sexta-feira, abril 17, 2026

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Saúde de Brasília em coma

Enquanto o governo local despeja milhões em publicidade, pacientes morrem em corredores. A capital federal, onde desfilam ministros engravatados e decisões que afetam 215 milhões de brasileiros, não consegue cuidar nem de seus próprios doentes. A saúde pública de Brasília está em colapso, e não é por falta de aviso, mas por descaso.

De acordo com levantamento da Secretaria de Saúde de Brasília-DF, o número de pacientes aguardando por cirurgias eletivas ultrapassou, em abril de 2025, a marca de 75 mil pessoas, número maior do que a população de regiões administrativas (bairros) como Planaltina ou Paranoá. A fila não anda, ou melhor, só anda para trás.

No Hospital Regional de Ceilândia (HRC) faltam leitos, medicamentos básicos e até lençóis. Pacientes dividem salas de observação com casos infecciosos, e profissionais estão sendo afastados por exaustão e crises de burnout. A unidade opera há meses com mais de 150% da capacidade de atendimento.

No Hospital de Base — supostamente a referência de Brasília —, há pacientes entubados em salas improvisadas, sem climatização, e a espera por uma tomografia pode passar de 15 dias, mesmo em casos graves de suspeita de AVC. O Sindicato dos Médicos do DF (SindMédico) já alertou: faltam mais de dois mil profissionais de saúde na rede pública para suprir a demanda mínima.

Maquiagem oficial

Enquanto isso, o governo investe milhões em publicidade institucional. Só em 2024, foram R$ 47 milhões gastos com propaganda do GDF, segundo dados do Portal da Transparência, uma vez que a Secretaria de Comunicação se nega a fornecer dados específicos, apesar de ser uma obrigação legal e não um favor. Um verdadeiro escárnio diante da falta de soro fisiológico, gaze e antibióticos em unidades básicas de saúde (UBSs) em regiões como Samambaia, Santa Maria e Estrutural.

A capital da República, símbolo do poder nacional, virou também o símbolo da contradição: entre a propaganda governamental e a tragédia cotidiana vivida por quem depende do SUS no em Brasília.

Dinheiro há. Gestão, não.

Relatório do Tribunal de Contas de Brasília-DF apontou que, em 2024, cerca de R$ 300 milhões do Fundo de Saúde do DF não foram executados, ou seja, estavam disponíveis, mas ficaram parados. Enquanto isso, o Hospital da Criança opera com equipamentos obsoletos, e a rede de UBSs perdeu 18% de sua cobertura nos últimos dois anos.

A saúde pública de Brasília está sendo tratada com um misto de descaso e propaganda enganosa. Quem sofre é o contribuinte, o servidor que ficou sem atendimento, o idoso largado em uma cadeira de plástico, o bebê que esperou quatro horas por um pediatra e não foi atendido, o contribuinte gemendo de dor por horas a fio de espera.

Omissão

Não há dúvidas: o que acontece hoje na saúde pública de Brasília não é falha, é escolha. A escolha deliberada por priorizar obras de fachada e publicidade oficial em detrimento da vida humana. Uma gestão que ignora o grito de quem sofre em silêncio é cúmplice de cada morte evitável.

Se Brasília é o espelho do Brasil, então estamos todos diante de um reflexo doentio: um país onde o que adoece não é só o corpo, mas a própria noção de dignidade pública.

A saúde pública, tratada como um número contábil, é, na realidade, uma linha tênue entre a vida e a morte de milhares de brasilienses que acreditam, ainda, que o Estado os protegerá.

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