
Os Correios fecharam o primeiro semestre de 2025 com um prejuízo bilionário de cerca de R$ 4,3 bilhões e acenderam o alerta vermelho no Tesouro Nacional. O rombo, que dobrou em relação ao ano anterior, ameaça virar um novo peso sobre as contas públicas e, no fim das contas, sobre o bolso do contribuinte.
O governo discute agora um empréstimo de até R$ 20 bilhões para socorrer a estatal, com garantia do Tesouro. Na prática, isso significa que, se os Correios não conseguirem pagar o empréstimo, quem arca com a conta é o governo ou seja, o contribuinte. O risco é claro: transformar um problema de gestão em um problema fiscal para o país inteiro.
O Tesouro acendeu o alerta porque essa operação pode ser um “socorro disfarçado”. O governo tenta apresentar o empréstimo como algo neutro para as contas públicas, mas especialistas alertam que o risco é real: mais dívida, mais gasto e menos espaço para investimentos em áreas como saúde e educação. Em outras palavras, empurra-se o problema para frente, mas o custo virá depois com juros e correção.

Os Correios acumulam queda de receita, aumento de despesas e dívidas trabalhistas, e vêm vendendo imóveis e cortando pessoal para tentar equilibrar as contas. Mesmo assim, o rombo continua crescendo. Sem uma reestruturação profunda, o prejuízo tende a se repetir e o Tesouro terá de intervir novamente.
O governo evita admitir o tamanho do risco, tentando ganhar tempo político e evitar que o rombo entre nas estatísticas oficiais de déficit e dívida, mas a conta não desaparece: apenas fica escondida até que precise ser paga.
Os Correios estão no vermelho, quase falidos. O Tesouro tenta segurar o impacto com manobras contábeis, e quem paga a conta, no fim, é o cidadão. Se o empréstimo for confirmado com aval do governo, o prejuízo deixará de ser apenas da empresa e passará a ser mais um peso nas contas públicas, que já estão no limite.


