
Um levantamento divulgado em 25 de março de 2026 pela AtlasIntel em parceria com a Bloomberg revelou um dado que chama atenção pelo ritmo e pelo recorte etário: a rejeição ao presidente Lula da Silva atingiu 72,7% entre jovens de 16 a 24 anos — o maior índice entre todas as faixas analisadas.
O número representa um salto expressivo em curto intervalo de tempo. Em fevereiro, a desaprovação nesse mesmo grupo era de 58,6%, o que indica uma alta de 14 pontos percentuais em apenas um mês. Na sequência, aparece a faixa de 25 a 34 anos, com 62,1% de rejeição, consolidando uma tendência de afastamento das gerações mais novas em relação ao governo.
Na média geral da população, os dados também indicam cenário desfavorável. Segundo o levantamento, o governo registra 53,5% de desaprovação contra 45,9% de aprovação. A pesquisa ouviu 5.028 pessoas de 18 a 23 de março, com margem de erro de um ponto percentual e registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outros institutos reforçam o mesmo movimento. O PoderData apontou que a desaprovação pessoal do presidente chegou a 61%, o maior patamar dos últimos dois anos. A Genial/Quaest registrou, no início de março, 51% de rejeição contra 44% de aprovação.
Crescente
Especialistas apontam que a alta rejeição entre os jovens não ocorre de forma isolada, mas resulta de um conjunto de fatores que vêm se acumulando desde o início do mandato.
Entre os principais pontos está a percepção de ineficiência na condução do governo. Promessas de campanha consideradas fantasiosas — sobretudo nas áreas econômica e social — não têm se traduzido em resultados concretos no cotidiano da população, especialmente no que diz respeito ao custo de vida e à geração de oportunidades.
Outro fator importante é o desgaste do discurso político. Analistas indicam que parte significativa do eleitorado mais jovem demonstra pouca identificação com narrativas consideradas antigas, centradas em polarizações e referências de décadas passadas. Em um ambiente marcado por comunicação rápida, digital e descentralizada, mensagens vistas como repetitivas ou desconectadas da realidade tendem a perder impacto.

A economia também pesa na avaliação negativa. A percepção de perda de poder aquisitivo, aumento do endividamento e dificuldades no mercado de trabalho contribuem para a insatisfação, sobretudo entre aqueles que estão ingressando agora na vida profissional.
Há ainda uma crescente distância entre expectativa e realidade. Promessas amplas, muitas vezes interpretadas como de difícil execução, acabam ampliando a frustração quando não se concretizam no ritmo esperado.
Desafio
O avanço da rejeição entre jovens representa um desafio estratégico para o governo. Historicamente, essa faixa etária desempenha papel importante na formação de opinião e na mobilização social, especialmente em ambientes digitais.
A consolidação desse quadro pode indicar uma mudança mais profunda no perfil de apoio político, com impactos potenciais nas próximas disputas eleitorais.
O governo enfrenta o desafio de ajustar sua comunicação, apresentar resultados mais perceptíveis e reconstruir a conexão com um público que, neste momento, demonstra crescente distanciamento.
Será que ainda dá tempo?


