O endividamento das famílias brasileiras atingiu 78,4% em junho de 2025, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). O índice representa um avanço em relação aos 78,2% registrados em maio, configurando o quinto mês consecutivo de alta.

A pesquisa destaca diferenças de impacto entre faixas de renda. Nas famílias com renda de até três salários mínimos, o nível de endividamento atingiu 81,2% em julho, reflexo da dependência maior de crédito para consumo básico. Já entre as famílias de renda mais alta (acima de dez salários mínimos), o índice foi significativamente menor, em 67,9%.
Apesar da elevação na comparação mensal, o dado mostra uma ligeira melhora frente a junho de 2024, quando o percentual era de 78,8%. Para a CNC, essa redução anual é resultado de um maior controle de gastos por parte de algumas famílias, além de renegociações de dívidas e ações pontuais de fomento ao consumo com juros mais baixos.
O levantamento indica que a inadimplência, ou seja, o percentual de famílias com dívidas em atraso, está estagnado em 29,5%. Esse resultado mantém a taxa no patamar observado desde abril e sugere que, embora mais famílias estejam contraindo dívidas, a capacidade de pagamento de parte dos endividados não se deteriorou no mesmo ritmo.

Entre os tipos de crédito mais utilizados, o cartão de crédito continua liderando, presente na dívida de mais de 85% das famílias endividadas, seguido por carnês, financiamentos de veículos e crédito pessoal. A CNC ressalta, contudo, que o uso recorrente do cartão, combinado a taxas de juros elevadas, aumenta o risco de inadimplência a médio prazo.
Para os próximos meses, a CNC projeta que o endividamento possa seguir elevado, influenciado por fatores como a lenta recuperação do emprego formal, oscilações da taxa de juros e a manutenção de condições restritivas para o crédito.


