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sábado, maio 2, 2026

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Europa volta a priorizar livros impressos nas escolas

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A Suécia iniciou uma reversão significativa na política de digitalização quase total de suas escolas, voltando a priorizar livros impressos, a escrita à mão e a leitura silenciosa nas salas de aula. A mudança ocorre após o país registrar queda nos índices de leitura e alfabetização medidos pelo Progress in International Reading Literacy Study (PIRLS) — estudo internacional que avalia a competência em leitura de estudantes do ensino fundamental em diversos países.

O movimento marca uma inflexão em um dos sistemas educacionais que, durante anos, foi considerado referência na adoção de tecnologias digitais no ensino. Autoridades educacionais suecas passaram a reconhecer que a substituição acelerada de livros por tablets e computadores pode ter contribuído para dificuldades de concentração, compreensão de textos e desenvolvimento da leitura profunda.

Como parte da nova estratégia, o governo sueco anunciou um investimento expressivo para restabelecer a presença do material impresso nas escolas. Em 2023 foram destinados cerca de 45 milhões de euros para a compra de livros didáticos, e outros 44 milhões de euros por ano estavam previstos para 2024 e 2025, com o objetivo de garantir que cada aluno tenha acesso a um exemplar físico por disciplina.

A política também prevê a redução do uso de telas principalmente na educação infantil e nos primeiros anos do ensino fundamental, fase considerada crucial para o desenvolvimento cognitivo. Especialistas apontam que, nessa etapa, a aprendizagem depende fortemente de experiências táteis, da escrita manual e da interação direta com textos impressos — elementos que ajudam a consolidar memória, atenção e compreensão.

A decisão foi respaldada por pareceres científicos de instituições como o Instituto Karolinska, um dos centros médicos e de pesquisa mais respeitados da Europa. Pesquisadores da instituição alertaram que o uso intensivo de ferramentas digitais pode prejudicar a capacidade de concentração e a compreensão profunda de textos quando comparado à leitura em papel.

Apesar da mudança, a tecnologia não foi totalmente banida das escolas suecas. O novo modelo educacional propõe que dispositivos digitais sejam utilizados de forma complementar e controlada, e não como base exclusiva do processo de ensino.

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A reavaliação do uso intensivo de tecnologia nas escolas não ocorre apenas na Suécia. Diversos países europeus vêm adotando medidas semelhantes nos últimos anos, impulsionados por estudos acadêmicos e relatórios internacionais — entre eles documentos da UNESCO, que apontam correlação entre uso excessivo de telas, queda no desempenho escolar e aumento de problemas como distração em sala de aula e cyberbullying.

O que se observa é a adoção de novas leis, diretrizes educacionais e restrições ao uso de dispositivos eletrônicos nas escolas, especialmente de 2024 a 2026.

Nos Países Baixos (Holanda), por exemplo, entrou em vigor em janeiro de 2024 uma proibição nacional de celulares, tablets e smartwatches em salas de aula do ensino secundário. A medida foi posteriormente ampliada para incluir o ensino primário ainda no mesmo ano.

A França, que já mantinha restrições desde 2018, decidiu aprofundar a política. Em 2025, o governo francês ampliou o banimento de telas em ambientes de cuidados infantis para crianças com menos de três anos e deu início a projetos-piloto para estabelecer uma proibição total de celulares em escolas secundárias, política que pode se tornar nacional até setembro de 2026.

Na Itália, o Ministério da Educação reforçou em 2024 a proibição do uso de celulares em salas de aula para todos os níveis de ensino, argumentando que a presença constante dos aparelhos compromete a concentração dos estudantes e prejudica a interação social entre alunos e professores.

A Bélgica também decidiu restringir o uso de dispositivos digitais individuais. Nas regiões de língua francesa e flamenga, o banimento em sala de aula passou a valer a partir do ano letivo 2025-2026.

Mesmo países tradicionalmente entusiastas da tecnologia educacional começaram a rever suas políticas. Finlândia e Dinamarca, reconhecidas por sistemas de ensino altamente digitalizados, passaram a recomendar ou adotar restrições mais rigorosas ao uso de celulares e tablets nas escolas em 2024 e 2025, buscando reduzir distrações e melhorar o foco durante as aulas.

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Na Espanha, a comunidade autônoma de Madri determinou que, a partir do ano letivo 2025-2026, alunos de zero a 12 anos em escolas públicas não poderão utilizar dispositivos digitais individuais — incluindo livros digitais — dentro das salas de aula.

Mudança de paradigma

Especialistas em educação avaliam que essas medidas refletem uma mudança de paradigma no sistema educacional europeu. Durante a última década, a digitalização foi frequentemente apresentada como solução central para modernizar o ensino. No entanto, evidências acumuladas em pesquisas acadêmicas e avaliações internacionais indicam que a substituição indiscriminada de métodos tradicionais por telas pode trazer efeitos indesejados.

O novo consenso que começa a emergir na Europa aponta para um modelo híbrido: a tecnologia continua presente no ambiente escolar, mas como ferramenta auxiliar, supervisionada e integrada a práticas pedagógicas tradicionais, como leitura em papel, escrita manual e estudo concentrado.

O movimento não representa uma rejeição à tecnologia, mas sim uma tentativa de recolocar os fundamentos da alfabetização e da aprendizagem no centro do processo educativo — algo que, segundo educadores europeus, foi parcialmente negligenciado durante a fase de entusiasmo com a digitalização total das salas de aula.

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