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terça-feira, abril 21, 2026

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Sem carne no prato, baixa renda padece com a fome

No Brasil, entre três pessoas, uma é analfabeta funcional. Você sabia que o QI do brasileiro está abaixo da média mundial? No Nordeste, 42% da população é considerada analfabeta funcional

O brasileiro está comendo menos proteína animal, e o problema vai muito além de uma simples mudança de hábito alimentar. Dados da Companhia Nacional de Abastecimento – Conab mostram que o consumo de carne bovina voltou a cair em 2025: a média anual por habitante passou de 35 quilos em 2024 para 31,9 quilos em 2025, o menor nível em quase duas décadas. O motivo é direto e conhecido: a carne ficou cara demais para caber no prato do pobre, que tem substituído o bife por alternativas mais baratas ou simplesmente reduzido a presença da proteína na mesa.

A inflação dos alimentos, aliada à concentração do mercado de carne nas mãos de poucas empresas, transformou um bem básico em artigo de luxo. O monopólio do setor, comandado por grandes frigoríficos, dita preços que não refletem apenas o custo da produção, mas a lógica do lucro máximo, sustentado pela exportação. Enquanto toneladas de carne deixam o país rumo à China e ao Oriente Médio, o brasileiro comum se vira como pode, substituindo a carne por ovos, miúdos e, muitas vezes, apenas pelo arroz e feijão, quando os há. E essa dobradinha também já virou artigo de luxo.

O resultado é visível na mesa e no corpo. A redução do consumo de proteína animal tem provocado desequilíbrio nutricional, especialmente entre famílias de baixa renda. Nutricionistas alertam para o aumento de quadros de anemia e desnutrição leve, principalmente entre crianças, gestantes e idosos. A fome que o discurso oficial insiste em negar reaparece, silenciosa, travestida de “alimentação improvisada”.

Você sabia que quase 30% dos empregados das empresas são analfabetos funcionais, incapazes de entender instruções escritas ou escrevê-las?

Nos últimos anos, a retórica governamental tem oscilado entre o otimismo estatístico e a negação da realidade. Fala-se que o Brasil “saiu do mapa da fome”, mas o que saiu mesmo foi a carne do prato do trabalhador. As pesquisas que alimentam essa narrativa consideram o mínimo necessário para a sobrevivência, não a qualidade nutricional da dieta. A fome, no entanto, não é apenas ausência total de comida, é também o esvaziamento do valor alimentar, o enfraquecimento cotidiano imposto por dietas pobres e repetitivas.

A contradição é gritante: em um país que figura entre os maiores produtores e exportadores de carne do mundo, o cidadão que trabalha para sustentar essa cadeia produtiva não pode mais comprar o próprio produto. O modelo voltado à exportação e guiado por interesses corporativos cria uma espécie de apartheid alimentar: abundância para fora, escassez para dentro.

Enquanto os números oficiais tentam provar que o Brasil avança, a mesa do pobre prova o contrário. A proteína virou lembrança, um luxo domingueiro, uma memória de tempos em que o bife ainda era símbolo de dignidade. O país que se gaba de alimentar o mundo é o mesmo que não consegue alimentar o próprio povo.

O prato do brasileiro segue como termômetro social: quanto menor a fatia de carne, maior a distância entre o discurso e a realidade.

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