
Foram protocolados dois pedidos de impeachment contra o governador de Brasília — Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), na Câmara Legislativa de Brasília-DF (CLDF). A iniciativa partiu de parlamentares e políticos de oposição e está baseada em suspeitas de crime de responsabilidade vinculadas à atuação de Ibaneis na trama que envolve o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, instituição privada que entrou em liquidação extrajudicial após ter sua venda ao banco público barrada pelo Banco Central.
O episódio reacendeu o debate sobre a exposição de recursos públicos a operações de risco e sobre a responsabilidade direta do chefe do Executivo distrital.
O pedido apresentado pelo PSOL-DF foi protocolado no dia 23 e assinado por Giulia Tadini — presidenta do PSOL-DF, Fábio Félix — deputado distrital (PSOL-DF) e Max Maciel — deputado distrital (PSOL-DF). O pedido protocolado por PSB-DF e Cidadania-DF, no mesmo dia, contou com a participação de representantes dessas legendas, incluindo dirigentes e parlamentares do PSB-DF — como o presidente da sigla em Brasília e outros signatários (incluindo Rodrigo Dias e Ricardo Capelli em eventos relacionados à entrega do documento).
Ambos os pedidos sustentam que houve graves falhas de governança, falta de transparência e possível ingerência política indevida no processo que pretendia transferir ao BRB o controle do Banco Master. A oposição argumenta que a operação foi defendida politicamente pelo governo de Brasília, apesar de sinais de fragilidade financeira da instituição privada, o que teria colocado em risco o patrimônio do banco público e, por consequência, dinheiro da população brasiliense. Para os autores dos pedidos, esse conjunto de fatores pode caracterizar violação aos princípios da administração pública e configurar crime de responsabilidade.
Depoimento

A situação ganhou novo peso político após a divulgação de depoimentos de executivos envolvidos no caso, em especial o do banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, à Polícia Federal. No depoimento, Vorcaro afirmou que tratou, em algumas ocasiões, da possível venda do banco diretamente com o governador Ibaneis Rocha, inclusive em encontros fora do ambiente institucional.
A citação do governador em uma investigação que envolve um banco público foi usada pela oposição como elemento central para justificar os pedidos de impeachment, ainda que o conteúdo dessas conversas esteja sob apuração e não haja, até o momento, decisão judicial que comprove irregularidades.
Defesa
Ibaneis Rocha nega qualquer ilegalidade. O governador admite ter conhecido Vorcaro e mantido contato social com o empresário, mas afirma que não participou das negociações técnicas da operação e que a condução do processo ficou a cargo da diretoria do BRB. Segundo ele, não houve ordem, pressão ou interferência direta de seu governo para viabilizar a compra do Banco Master, e o fato de o negócio não ter sido concretizado demonstraria que os mecanismos de controle funcionaram.
O movimento de protocolar dois pedidos de impeachment representa uma escalada da oposição em relação ao caso, mas ainda não garante o avanço automático dos processos. Eles precisarão ser analisados, tramitar na CLDF e ser aprovados em diferentes etapas legislativas antes de chegar a uma votação em plenário.


