Como nunca antes na história deste país, o governo federal arrecadou R$ 278,8 bilhões em impostos, contribuições e demais receitas em abril. O resultado é recorde para o mês desde o início da série histórica, em 1995. De janeiro a abril, a arrecadação chegou a R$ 1,05 trilhão, alta real de 5,41% na comparação com o mesmo período do ano passado. Também é o maior valor já registrado para um primeiro quadrimestre desde o início da série histórica.

Apesar dos recordes seguidos de arrecadação, o déficit primário do Governo Central (Tesouro Nacional, Banco Central e Previdência Social) acumulou R$ 73,8 bilhões no primeiro trimestre de 2026 e a Dívida Bruta do Governo Geral (DBGG) atingiu R$ 10,356 trilhões, o equivalente a 80,1% do Produto Interno Bruto (PIB). Resumindo: o cidadão brasileiro paga cada vez mais para receber cada vez menos, enquanto o governo gasta sem controle o dinheiro do contribuinte, e ninguém sabe para onde ele está indo.
Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (21) pela Receita Federal e mostram crescimento real de 7,82% em relação a abril de 2025, descontada a inflação.
Segundo a Receita Federal, o desempenho foi impulsionado principalmente pelo aumento da arrecadação previdenciária. O crescimento também foi motivado pelo Programa de Integração Social (PIS) e pela Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins).
Também contribuíram para a alta o Imposto de Renda sobre aplicações financeiras, reformulado no ano passado, e o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), cujas alíquotas sobre operações cambiais aumentaram em 2025.
Outro fator importante foi a reoneração gradual da folha de pagamentos de alguns setores e da contribuição patronal dos municípios, retomada desde janeiro de 2025.
A arrecadação com Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) somou R$ 64,8 bilhões em abril, com crescimento real de 7,73%.
De acordo com a Receita, houve aumento na tributação de empresas enquadradas em diferentes regimes, como estimativa mensal, lucro presumido e balanço trimestral.
A receita previdenciária arrecadou R$ 62,7 bilhões em abril, crescimento real de 4,83%. Também houve expansão de 9,18% na arrecadação previdenciária ligada ao Simples Nacional.
O Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) sobre rendimentos de capital arrecadou R$ 13,2 bilhões, com crescimento real de 25,45%.

A Receita atribui o resultado ao aumento da tributação sobre aplicações de renda fixa e ao salto na arrecadação com Juros sobre Capital Próprio (JCP), mecanismo usado por empresas para remunerar os acionistas.
A cobrança sobre JCP cresceu 94,74% em relação ao mesmo mês do ano passado.
A arrecadação ligada aos tributos e aos royalties de exploração do setor disparou 541% em abril, alcançando R$ 11,4 bilhões. No acumulado do ano, a alta chega a 264%, com receitas de R$ 40,2 bilhões.
O crescimento foi provocado principalmente pela forte valorização internacional do petróleo. Com o barril mais caro, o consumidor paga mais caro, recolhendo mais impostos e royalties ao governo.



