21 C
Brasília
segunda-feira, abril 13, 2026

ANUNCIE

Guerra & paz

Marcos Machado

CLIQUE AQUI

Conflitos no Oriente Médio costumam despertar reações emocionais intensas em todo o mundo. Entre cristãos, especialmente no Ocidente, não é raro ver manifestações contrárias a qualquer ação militar conduzida por países como Estados Unidos e Israel contra regimes considerados hostis. A reação ignora um aspecto fundamental do próprio pensamento bíblico: a realidade do conflito entre sistemas de poder que se opõem frontalmente à existência de Israel e à própria tradição judaico-cristã.

O caso do Irã é explícito. Desde a Revolução Islâmica de 1979, que derrubou o regime do xá e estabeleceu uma teocracia xiita liderada inicialmente pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, o país passou a adotar uma postura declaradamente hostil ao Ocidente e, especialmente, a Israel. A nova estrutura de poder transformou o Estado iraniano em um regime religioso no qual líderes clericais detêm autoridade política e militar, e cuja política externa passou a incluir o apoio sistemático a grupos armados (terroristas) que combatem Israel e influenciam conflitos em várias partes do Oriente Médio.

Essa estratégia expansionista se manifesta por meio do financiamento e apoio a organizações como o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza, além da presença indireta em guerras regionais, como na Síria e no Iêmen. O objetivo declarado por líderes do regime é ampliar a influência iraniana e enfraquecer o que eles chamam de “entidade sionista”, expressão usada para se referir ao Estado de Israel. Entre os dirigentes mais conhecidos que reiteraram essa retórica esteve o ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad, que diversas vezes questionou publicamente a legitimidade da existência do Estado israelense.

Para analistas de segurança internacional, essa postura torna o Irã um dos principais polos de tensão geopolítica da atualidade. O desenvolvimento de seu programa nuclear, visto por muitos governos como potencialmente militar, reforça a preocupação de países ocidentais e de seus aliados regionais. É nesse cenário que ações preventivas, pressões diplomáticas e, eventualmente, intervenções militares são discutidas no tabuleiro internacional.

CLIQUE AQUI

Parte do debate contemporâneo ganha uma dimensão adicional quando observado sob a perspectiva bíblica. Para muitos estudiosos das Escrituras, a atual república islâmica corresponde historicamente à antiga Pérsia, civilização milenar que ocupava grande parte do território que hoje constitui o Irã. A Bíblia menciona repetidamente essa nação, tanto em narrativas históricas quanto em profecias.

Uma das passagens aparece no livro de Ezequiel, especificamente nos capítulos 38 e 39. Neles, o profeta Ezequiel descreve uma grande coalizão de nações que, nos chamados “últimos dias”, marcharia contra Israel sob a liderança de uma figura denominada Gogue, da terra de Magogue. Entre os povos mencionados explicitamente está a Pérsia.

No texto, a Pérsia aparece como integrante de uma aliança militar que avança contra Israel com grande aparato bélico, descrito simbolicamente como escudos, capacetes e vastos exércitos. A narrativa bíblica afirma que o ataque ocorrerá quando Israel estiver vivendo em relativa segurança após ter sido reunificado como nação. Para muitos intérpretes modernos, essa descrição ganhou novo significado após a criação do moderno Estado de Israel em 1948.

O desfecho da profecia não descreve uma vitória militar da coalizão. O texto afirma que Deus intervém diretamente no conflito, provocando caos entre os invasores, catástrofes naturais e a destruição dos próprios exércitos que se voltam uns contra os outros nos montes de Israel. A narrativa termina com a derrota esmagadora da aliança hostil e a reafirmação da soberania divina sobre a história.

Independentemente das diferentes interpretações escatológicas que cercam esses capítulos, o ponto central permanece relevante: a Bíblia já descrevia um cenário de hostilidade envolvendo a antiga Pérsia e Israel em um contexto de confronto global. Para muitos leitores cristãos, esse elemento deveria ao menos estimular reflexão antes de condenar automaticamente qualquer tentativa de conter regimes que se colocam explicitamente como inimigos declarados do Estado judeu.

CLIQUE AQUI

O debate ultrapassa a simples divisão entre “guerra” e “paz”. Ele envolve o choque entre modelos civilizacionais. De um lado, sociedades que se estruturaram historicamente sobre fundamentos derivados da tradição judaico-cristã, como liberdade religiosa, pluralismo cultural e direitos individuais. De outro, regimes teocráticos que defendem a expansão de um modelo religioso-político no qual essas liberdades são integralmente suprimidas.

A história mostra que culturas não desaparecem apenas por derrotas militares, mas também por omissão diante de ameaças ideológicas e políticas. O debate sobre o papel do Irã no cenário internacional não é apenas geopolítico. Para muitos analistas e teólogos, ele também toca em questões profundas sobre a preservação de identidades culturais, religiosas e civilizacionais que moldaram o mundo ocidental ao longo de dois milênios.

Compreender o passado histórico da Pérsia, o papel contemporâneo do Irã e as referências proféticas presentes nas Escrituras pode ajudar a iluminar uma discussão frequentemente dominada por simplificações. Em vez de respostas emocionais imediatas, o tema exige análise histórica, geopolítica e também teológica; dimensões que, no caso do Oriente Médio, raramente podem ser separadas.

*Jornalista profissional diplomado, editor do portal Do Plenário, escritor, psicanalista, cientista político ocasional autoproclamado, analista sensorial, enófilo, adesguiano, consultor de conjunturas e cidadão brasileiro protegido (ou não) pela Constituição Brasileira, observador crítico da linguagem e da liberdade

relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique conectado

667FãsCurtir
756SeguidoresSeguir
338SeguidoresSeguir
- Publicidade -spot_img

Últimos artigos