
O retrato do bolso do consumidor brasileiro em agosto de 2025 revela um cenário que desmente a narrativa otimista propagada pelo governo. Segundo o Indicador de Inadimplência de Pessoas Físicas, do SPC Brasil, o número de consumidores com contas em atraso cresceu 9,20% em relação a 2024. Na comparação mensal, houve alta de 0,71% sobre julho, reforçando a escalada contínua do endividamento.
Hoje, são 71,78 milhões de brasileiros negativados, o equivalente a 43,13% da população adulta, praticamente um em cada dois cidadãos. O dado é alarmante, sobretudo quando se observa que o tempo médio de atraso chega a 28,4 meses (2,4 anos), o que mostra que boa parte dessas dívidas deixou de ser circunstancial para se transformar em uma condição crônica.
A geografia da inadimplência também traz sinais de alerta: o Centro-Oeste lidera o aumento anual, com 9,10%, seguido por Sudeste (8,63%), Norte (8,08%), Nordeste (7,64%) e Sul (5,37%). Em todas as regiões, o crescimento da dívida supera qualquer índice de recuperação do poder de compra.
Outro dado significativo é o avanço do número de dívidas em atraso, que subiu 15,86% em relação a 2024. O valor médio devido por consumidor chega a R$ 4.758,04. O setor bancário concentra a maior fatia dessa conta, com impressionantes 66,52%, revelando que os juros e encargos do sistema financeiro continuam funcionando como uma engrenagem de empobrecimento. Depois aparecem serviços básicos como água e luz (10,15%), comércio (9,34%) e outros setores (8,25%).

Apesar desse quadro, o governo insiste em comemorar dados de redução do desemprego e índices de crescimento econômico que, na prática, não se mostram para a população. O discurso oficial prefere apontar para um suposto “controle da inflação” e para “recordes de empregos formais”, invariavelmente não vistos, mas ignora o fato de que o brasileiro está cada vez mais sufocado pelas dívidas.
Em outras palavras, o país que se gaba de estatísticas positivas suspeitas esconde uma dura realidade: cidadãos endividados; inflação contida no papel, mas custo de vida em alta; consumo financiado pelo crédito caro. A maquiagem estatística transforma o que deveria ser alarme em propaganda.
No fim, o que os números de inadimplência deixam claro é que a política econômica atual não tem conseguido reduzir a vulnerabilidade do consumidor. Pelo contrário: ela apenas transfere a conta para as famílias, que se tornam reféns de um sistema financeiro voraz, enquanto a narrativa oficial se sustenta em índices que não resistem à vida real das ruas e dos lares brasileiros.


