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sexta-feira, março 13, 2026

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Chuvas afetam a inflação

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A prévia da inflação oficial de janeiro voltou a expor a fragilidade do discurso otimista do governo e de parte da imprensa diante de um problema que segue longe de ser resolvido no cotidiano da população. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) registrou alta de 0,20% no primeiro mês de 2026, após ter avançado 0,25% em dezembro.

O índice acumulado em 12 meses atingiu 4,5%, bem acima do teto da meta de inflação estabelecida pelo próprio governo, que é de 3%. O percentual de 4,5% bate, exatamente, no teto da “gordura” do índice. Em dezembro, esse acumulado era de 4,41%, o que demonstra uma trajetória contínua de pressão inflacionária.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira (23) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e revelam um cenário que vai além da leitura superficial dos números mensais. Embora a variação de janeiro seja ligeiramente inferior à de dezembro, o avanço no acumulado anual confirma que a inflação permanece corroendo o poder de compra do trabalhador, atingindo de forma mais severa as famílias de baixa renda, que destinam parcela maior de sua renda a itens essenciais.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, apenas dois apresentaram recuo nos preços na passagem de dezembro para janeiro. O grupo Habitação teve queda média de 0,26%, enquanto Transportes recuaram 0,13%. Todos os demais registraram alta, com destaque para Saúde e cuidados pessoais, que avançou 0,81%, Comunicação, com alta de 0,73%, e Artigos de residência, que subiram 0,43%. Alimentação e bebidas, grupo de maior peso para o orçamento das famílias mais pobres, voltou a pressionar o índice, com aumento de 0,31%, reforçando a percepção de encarecimento do custo de vida.

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No caso da Habitação, a principal explicação para o recuo está na queda de 2,91% na conta de luz, o item que mais contribuiu para conter a inflação do mês, com impacto negativo de aproximadamente 0,12 ponto percentual. Essa redução, no entanto, não decorre de uma política estrutural de controle de custos ou de aumento de eficiência do setor elétrico, mas de fatores circunstanciais.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) alterou a bandeira tarifária de amarela para verde, em razão das condições favoráveis de geração, impulsionadas pelas chuvas.

Em dezembro, vigorava a bandeira amarela, que acrescentava R$ 1,885 a cada 100 quilowatt-hora consumidos. Em janeiro, com a bandeira verde, não houve cobrança adicional. Trata-se, portanto, de um alívio temporário e sujeito a reversão, dependente de condições climáticas e não de uma estratégia consistente de combate à inflação.

Apesar disso, setores do governo e da imprensa trataram o resultado como sinal de melhora, ignorando que a inflação segue no limite máximo da “gordura” da meta e continua a comprometer o orçamento das famílias.

A estabilização em patamar elevado não representa vitória, sobretudo em um país marcado por desigualdade de renda, informalidade e baixa capacidade de absorção de choques de preços.

Enquanto o discurso oficial celebra variações marginais, o trabalhador segue pagando mais por alimentos, saúde e serviços básicos, confirmando que a inflação, ainda que menos ruidosa nos indicadores mensais, permanece ativa e socialmente regressiva.

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