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quinta-feira, março 12, 2026

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A paz não nasce da hesitação

Marcos Machado

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Quando a Europa tentou apaziguar Adolf Hitler na década de 1930, o argumento dominante era o mesmo que se ouve hoje em certos círculos diplomáticos: é preciso dialogar, compreender, evitar provocar. Tratados foram assinados, concessões foram feitas, territórios foram entregues sob a promessa de estabilidade. O resultado é conhecido. A expansão não cessou. O totalitarismo não moderou seu discurso. O preço da hesitação foi pago com cidades destruídas e milhões de mortos.

Foi apenas quando Winston Churchill abandonou qualquer ilusão de acomodação e assumiu a disposição de enfrentar o regime nazista até o fim que a balança começou a mudar. A máxima atribuída a Churchill — de que não se deve “bater pela metade no inimigo” — não é um convite à guerra permanente, mas um alerta histórico: regimes que desprezam acordos e instrumentalizam a violência só recuam diante da força inequívoca.

É sob essa lente histórica que muitos analistas avaliam as recentes ações de Donald Trump.

A captura de Maduro

A operação que resultou na captura de Nicolás Maduro marcou uma ruptura na tradição de tolerância passiva diante de regimes autoritários na América Latina. Durante anos, denúncias de repressão política, colapso econômico e crise humanitária na Venezuela foram respondidas com sanções graduais e apelos diplomáticos que pouco alteraram a realidade interna do país.

Ao optar por uma ação direta, Washington enviou uma mensagem clara: a perpetuação de regimes sustentados por coerção e colapso institucional não será tratada como fato consumado. Para defensores da medida, a remoção de um tirano acusado de corroer as bases democráticas não representa intervenção arbitrária, mas um gesto de restauração de equilíbrio regional. A América do Sul, historicamente sensível a ondas autoritárias, recebe um sinal de que a impunidade não é eterna.

Ameaça persistente

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No Oriente Médio, o enfrentamento ao regime iraniano ocorre em contexto ainda mais delicado. O Irã se consolidou, ao longo das últimas décadas, como ator central em redes de milícias e grupos armados que operam além de suas fronteiras. Sanções econômicas, acordos nucleares e rodadas sucessivas de negociação foram tentados. Nenhum deles eliminou o risco estrutural representado pela combinação de ambição nuclear, retórica ideológica expansionista e apoio a organizações classificadas como terroristas por diversas potências.

A decisão de atacar estruturas estratégicas iranianas, segundo seus defensores, não surge como ato impensado, mas como resposta a um ciclo de provocações e fracassos diplomáticos. A lógica é simples e dura: permitir que um regime teocrático avance sem contenção pode significar, no médio prazo, riscos ainda maiores — seja pela proliferação nuclear, seja pela consolidação de um arco de instabilidade que atravessa continentes.

A lição histórica

A analogia com a Segunda Guerra Mundial não é exagero retórico, mas advertência histórica. Antes de 1939, acreditava-se que concessões poderiam satisfazer o apetite expansionista nazista. A Conferência de Munique se tornou símbolo dessa ilusão. Quando ficou evidente que acordos não seriam respeitados, já era tarde demais para evitar um conflito global.

Hoje, o dilema se repete sob novas formas. O mundo enfrenta regimes que combinam ideologia radical, aparato militar robusto e desprezo por normas internacionais. Apostar exclusivamente no diálogo pode soar moralmente elevado, mas, se desprovido de mecanismos reais de coerção, torna-se ingenuidade estratégica.

O último recurso

A paz genuína não é fruto da passividade. Ela depende de equilíbrio de poder, de credibilidade e da convicção de que agressões terão resposta proporcional e eficaz. Ao agir com contundência na Venezuela e no Irã, Trump adota a tese de que a ordem internacional precisa ser defendida ativamente — não apenas proclamada em resoluções diplomáticas.

Críticos alertam para riscos de escalada e instabilidade. Esses riscos existem. Mas a alternativa — tolerar a consolidação de tiranias com capacidade de projetar violência além de suas fronteiras — também carrega perigos profundos e duradouros.

A história ensina que a liberdade raramente sobrevive quando democracias hesitam indefinidamente diante de regimes que não compartilham seus valores. Churchill compreendeu isso quando a sobrevivência da civilização ocidental estava em jogo. A mensagem permanece atual: a força não é a negação da paz. Em certos momentos, ela é a única ponte possível para alcançá-la.

*Jornalista profissional diplomado, editor do portal Do Plenário, escritor, psicanalista, cientista político ocasional autoproclamado, analista sensorial, enófilo, adesguiano, consultor de conjunturas e cidadão brasileiro protegido (ou não) pela Constituição Brasileira, observador crítico da linguagem e da liberdade

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