Na área de ensino, o Brasil continua praticamente no mesmo lugar desde 2015, segundo o desempenho no PISA 2025 (Programme for International Student Assessment). Em Matemática, a pontuação é exatamente a mesma de dez anos atrás. Em Leitura, o avanço foi de apenas um ponto. Em Ciências, oito. O resultado expõe uma década de estagnação da aprendizagem.
O PISA 2025 confirmou o que os números das últimas edições já vinham mostrando: o ensino brasileiro é uma tragédia.
Em 2015, os estudantes brasileiros de 15 anos obtiveram 377 pontos em Matemática, 407 em Leitura e 401 em Ciências. Dez anos depois, os resultados são 377, 408 e 409 pontos, respectivamente, e todos abaixo da média mundial. Ou seja, em uma década, zero avanço em Matemática, um ponto em Leitura e oito em Ciências. A própria Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) afirma que os resultados brasileiros de 2025 permanecem próximos dos níveis observados em todas as avaliações desde 2015.
O retrato de 2025 é especialmente preocupante. Apenas 28% dos estudantes brasileiros alcançaram o nível básico de proficiência em Matemática, contra 65% na média da OCDE. Em Leitura, foram 49%, contra 69% na OCDE. Em Ciências, 48%, contra 74%.
Traduzindo para o bom Português, sete em cada dez adolescentes brasileiros não atingem sequer o nível básico em Matemática. Quase seis em cada dez não alcançam esse patamar em Ciências e pouco mais da metade consegue fazê-lo em Leitura.
Não é apenas uma questão de ranking. É uma questão de aprendizagem. O dado talvez mais perturbador seja outro: 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram abaixo do nível mínimo de proficiência nas três áreas simultaneamente, contra 19,7% na média da OCDE. Ou seja, quase metade dos adolescentes avaliados no país não alcança o patamar básico de desempenho em Matemática, Leitura e Ciências ao mesmo tempo.
É nesse ponto que a expressão analfabetismo funcional deixa de parecer exagerada como descrição da crise do ensino nacional, ainda que não seja uma classificação oficial do PISA. Um adolescente pode ter passado anos dentro da escola, avançado de série e chegado ao ensino médio sem adquirir conhecimentos e habilidades elementares necessários para interpretar textos e resolver problemas cotidianos.
A estagnação não começou agora. Em 2022, a OCDE já registrava que os resultados brasileiros permaneciam praticamente paralisados desde 2009, com apenas pequenas e, em sua maioria, insignificantes oscilações.
A pandemia não justifica o desastre. Ela atingiu um sistema que já apresentava problemas estruturais anteriores.
O mais revelador é que, comparado a 2015, o percentual de alunos abaixo do nível 2 não mudou significativamente em Matemática nem em Leitura. Em Ciências, a redução foi de apenas quatro pontos percentuais.
Uma década, bilhões de reais gastos, sucessivas reformas, programas, planos e discursos sobre educação. E o resultado?
Foram 377 pontos em Matemática em 2015 e os mesmos 377 em 2025.
É difícil encontrar símbolo mais eloquente da falência da aprendizagem do que uma década inteira para terminar exatamente no mesmo lugar. O Brasil diz que ampliou o acesso à escola, mas não conseguiu transformar permanência em aprendizagem.
O PISA não chama esses estudantes literalmente de analfabetos funcionais, mas os números mostram uma realidade que dispensa eufemismos: uma parcela gigantesca de brasileiros chega aos 15 anos sem dominar competências básicas de matemática, leitura e ciências.
Dez anos depois, o problema continua praticamente onde estava.
A escola avançou no calendário; o aluno, não.


