
E aí, governo, cadê o dinheiro do contribuinte?


A contradição não passa despercebida. Enquanto a arrecadação bate recordes, o rombo nas contas públicas se amplia. A Instituição Fiscal Independente (IFI), órgão ligado ao Senado, já alertou que o colapso fiscal de 2026 é praticamente inevitável sem novas medidas de aumento de carga tributária; uma mensagem que escancara o desalinhamento entre as cifras bilionárias coletadas e a gestão dos recursos. O país arrecada como nunca, mas administra como sempre: mal, de forma improvisada e com pouca transparência.

A pergunta que se impõe é simples e angustiante: para onde está indo o dinheiro do contribuinte brasileiro? A lógica elementar das contas públicas diria que um aumento consistente de receitas deveria aliviar as pressões sobre o orçamento, mas o governo opera como se estivesse permanentemente no vermelho.
A expansão de gastos, a falta de planejamento de longo prazo e a tendência de ampliar despesas obrigatórias sem contrapartidas claras colocam em xeque a responsabilidade fiscal. Soma-se a isso a crescente judicialização das políticas públicas, que cria despesas imprevistas, e o apetite político por programas que rendem palanque, mas drenam cofres.
A incongruência entre arrecadar mais e faltar dinheiro evidencia um problema de gestão, não de arrecadação. O contribuinte paga caro, e paga muito, para sustentar uma máquina pública que cresce sem critério, redistribui mal os recursos e opera como se fosse possível ignorar o limite da realidade fiscal. O alerta do IFI funciona como aviso prévio: sem correção de rota, o país seguirá empurrando a conta para o próprio cidadão, seja por meio de novos impostos, seja pela deterioração dos serviços públicos.
A arrecadação recorde não se converte em eficiência, transparência ou responsabilidade. Apenas reforça a sensação de que se cobra muito e se entrega pouco. E, enquanto o governo comemora números bilionários, o contribuinte continua sem resposta clara sobre o destino de cada real que entrega ao governo e sem perspectiva de que essa equação finalmente comece a fazer sentido.
Editor: Marcos Machado Registro de Jornalista Profissional: 1.121-DF Panaceia Serviços Nutricionais e WEB Ltda.- ME Brasília – DF Fone: (06l) 991391779
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