
Uma pesquisa do Instituto Genial/Quaest revelou que 81% dos brasileiros acreditam que perderam poder de compra em relação ao último ano, evidenciando uma contradição entre a realidade popular e o discurso oficial de melhora na economia. Apenas 9% dos entrevistados disseram que a situação permanece igual e outros 9% afirmaram ter registrado aumento na capacidade de consumo.
O contraste fica ainda mais evidente quando se observa os detalhes do estudo: 88% dos entrevistados percebem alta nos preços dos alimentos, 70% apontam aumento nos combustíveis, 65% citam encarecimento das contas de energia e água e 53% consideram mais difícil conseguir emprego hoje do que há um ano. Em outras palavras, a vida cotidiana está mais cara e mais difícil, apesar dos números apresentados pelo governo.
O levantamento, feito de 27 a 31 de março de 2025 com 2.004 pessoas em 120 municípios, possui margem de erro de dois pontos percentuais e mostra que o otimismo anunciado por Brasília não encontra eco nas prateleiras dos supermercados.
De acordo com o IBGE, a inflação oficial acumulada em 12 meses até agosto de 2025 foi de 5,13%, número que o Planalto trata como sinal de controle, mas que na prática continua acima do teto da meta estipulada e do que o consumidor vivencia diariamente. A realidade é que, ao longo do ano, os preços de itens básicos continuam corroendo a renda da maioria da população.

Os dados oficiais sobre rendimento também parecem mais positivos do que a realidade popular. O IBGE aponta que o rendimento médio real habitual chegou a R$ 3.477 em junho de 2025, um crescimento de 3,3% em relação ao ano anterior, enquanto a massa salarial real alcançou R$ 351 bilhões, com alta de 5,9% em doze meses. No discurso oficial, esses números são usados como prova de que a economia se fortalece. No entanto, especialistas alertam que ganhos modestos são facilmente neutralizados pela inflação persistente e, mais ainda, pela desigualdade: a renda do 0,1% mais rico cresceu cinco vezes mais que a média de 2017 a 2023, ampliando a concentração e deixando a maioria com pouco ou nenhum avanço real.
A pesquisa da Quaest, portanto, não apenas contradiz a retórica governamental, mas revela que a recuperação divulgada em índices e gráficos não chega ao bolso da maioria. Quando oito em cada dez brasileiros sentem que o dinheiro vale menos, a economia oficial perde credibilidade. É o clássico descompasso entre narrativa e realidade: de um lado, estatísticas que permitem discursos otimistas; de outro, o “carrinho vazio” que traduz a experiência diária de milhões de famílias.
No fim das contas, a economia não se mede apenas por tabelas técnicas, mas pela realidade de quem enfrenta o caixa do supermercado. E se a maioria acredita estar perdendo, os números oficiais, por mais ajustados que pareçam, não conseguem apagar a sensação de empobrecimento que se instalou no país.
Alguém está mentindo… Será o cidadão?


