A rejeição ao governador de Brasília, Ibaneis Rocha (MDB), voltou a subir. Segundo levantamento do Instituto Paraná Pesquisas divulgado em junho, 36,7% dos eleitores de Brasília-Distrito Federal desaprovam sua gestão elitista que favorece apenas as regiões nobres da capital. Pesquisa em março apontava rejeição de 33,9%. Embora o número ainda esteja distante do pico de 61% apontado em agosto de 2024 pela pesquisa AtlasIntel, o crescimento da desaprovação acende um sinal de alerta no Buriti.
Os dados apontam que a insatisfação com o governo Ibaneis é mais acentuada nas regiões administrativas de maior densidade populacional e com menor acesso a serviços públicos de qualidade. Em Ceilândia, por exemplo, 42% dos moradores desaprovam a gestão. Em Samambaia, o índice é de 39%, seguido por 38% no Recanto das Emas e 36% em Planaltina. Em contraste, regiões mais centrais e economicamente favorecidas pelas obras do governo entre outras benfeitorias, como o Plano Piloto e o Lago Sul, registram rejeição abaixo da média, com 27% e 22%, respectivamente.
Esse recorte revela um descompasso entre a atuação do governo e as necessidades das áreas mais vulneráveis de Brasília. Reclamações recorrentes incluem o sucateamento da rede pública de saúde, atrasos e abandonos em obras prometidas, e a precariedade do transporte público.
Transporte e saúde
Entre os principais motivos apontados pelos entrevistados para a reprovação de Ibaneis, destacam-se a má qualidade do atendimento nas unidades de saúde e a ausência de melhorias no transporte coletivo. Segundo dados colhidos durante a pesquisa, 61% dos eleitores que desaprovam o governador citaram o sistema de saúde como principal motivo, enquanto 47% mencionaram a falta de investimentos em infraestrutura viária e transporte.
Analistas políticos apontam também que o desgaste da imagem do governador é amplificado por problemas de comunicação institucional e episódios passados que ainda repercutem negativamente. Além disso, a relação desgastada com servidores públicos e professores, resultado de embates salariais e cortes em benefícios, contribui para a percepção negativa.
A tendência de alta na desaprovação preocupa aliados, especialmente diante de um cenário político mais fragmentado e da possível candidatura de Celina Leão em 2026, que já começa a atrair parte da base insatisfeita.
A equipe do governador ainda não se pronunciou oficialmente sobre os números. Fontes próximas ao gabinete, no entanto, indicam que a estratégia para os próximos meses inclui intensificar entregas em obras de infraestrutura e ações pontuais nas regiões administrativas mais críticas. Ou seja, o governador e seus aliados irão usar obras públicas custeadas com o dinheiro do contribuinte brasiliense para fazer campanha eleitoral disfarçada de realização de governo.
A rejeição ao governo Ibaneis Rocha vem apresentando crescimento contínuo desde o início de 2025. O aumento é puxado por demandas não atendidas em áreas sensíveis como saúde, transporte e segurança, sobretudo nas regiões mais populosas e carentes. Se a tendência se mantiver, o cenário pode se tornar ainda mais desafiador para o governador e sua base política no próximo ano quando haverá eleições. Não é segredo que Ibaneis pensa em disputar uma cadeira no Senado.


