

Em teoria, juros altos servem para conter a inflação. Na prática, quando o custo do dinheiro se torna excessivo, o efeito colateral é o travamento da economia. O crédito para empresas fica restrito, investimentos produtivos são adiados e o consumo das famílias encolhe. O comércio e a indústria, principais motores da geração de empregos, sofrem com a queda nas vendas e o aumento dos custos financeiros, levando muitos empreendedores a reduzir estoques, cortar pessoal ou simplesmente fechar as portas.
O impacto mais visível recai sobre as famílias. Com a taxa básica em patamares elevados, cartões de crédito e cheque especial alcançam juros superiores a 400% ao ano, transformando pequenas dívidas em pesadelos financeiros. Segundo dados do Banco Central, mais de 80% das famílias brasileiras estão endividadas, e quase um terço delas admite não ter condições de pagar todas as contas do mês. Esse cenário corrói a renda disponível e amplia a vulnerabilidade social, sobretudo entre os trabalhadores informais e de baixa renda, que têm menos acesso a crédito barato e dependem diretamente do consumo interno para sobreviver.

A manutenção de juros tão altos também afeta o poder de compra e agrava a desigualdade. Enquanto investidores e detentores de títulos públicos são beneficiados pelo retorno financeiro, a maioria da população vê o custo de vida subir e o salário perder valor real. O efeito é perverso: os mais ricos ganham com a rentabilidade da dívida pública, enquanto os mais pobres arcam com os juros do cartão e o aumento de preços.
Economistas alertam que, sem um ambiente de juros mais compatível com o crescimento, o Brasil corre o risco de prolongar um ciclo de estagnação. O país fica preso a um modelo que favorece a especulação financeira e penaliza a produção. A combinação de baixo investimento, crédito caro e consumo retraído impede a criação de empregos e mina a confiança de empresários e consumidores.
Com a Rússia mantendo o topo do ranking e o Brasil logo em seguida, o retrato é claro: entre as grandes economias, poucas cobram tanto para emprestar e oferecem tão pouco estímulo para produzir. A consequência é um país onde o dinheiro rende mais parado do que em movimento e onde o custo dessa imobilidade é pago, todos os dias, pela população.
Editor: Marcos Machado Registro de Jornalista Profissional: 1.121-DF Panaceia Serviços Nutricionais e WEB Ltda.- ME Brasília – DF Fone: (06l) 991391779
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