
Depois de encerrar 2025 acima de R$ 8,6 trilhões e em nível recorde, a Dívida Pública Federal (DPF) deverá chegar ao fim deste ano de R$ 9,3 trilhões a R$ 10,3 trilhões. Os números foram divulgados nessa quarta-feira (28) pelo Tesouro Nacional, que apresentou o Plano Anual de Financiamento (PAF) da dívida pública para 2026.
O plano apresenta metas para a dívida pública para este ano. Assim como no ano passado, o governo criou um espaço para diminuir a fatia de títulos prefixados (com taxas de juros fixas e definidas antecipadamente) e aumentar a participação dos papéis corrigidos pela taxa Selic (juros básicos da economia). Isso ajudaria a atrair os investidores aos títulos vinculados à Selic, que estão no maior nível em quase dois anos.
No ano passado, o PAF originalmente previa que a Dívida Pública Federal poderia encerrar 2025 de R$ 8,1 trilhões a R$ 8,5 trilhões. Em setembro, o PAF foi revisado para que o indicador fechasse 2025 de R$ 8,5 trilhões a R$ 8,8 trilhões.
Custo social
A projeção de que a dívida pública federal possa alcançar R$ 10,3 trilhões não é um número abstrato restrito a planilhas do governo: ela se traduz em impactos diretos no cotidiano do cidadão. Quanto maior o endividamento, maior é o volume de recursos destinados ao pagamento de juros e amortizações, o que reduz o espaço do orçamento para saúde, educação, segurança e investimentos em infraestrutura.

Para sustentar essa dívida, o Estado recorre a mais impostos, mantém a carga tributária elevada ou aceita inflação mais persistente, que corrói o poder de compra, sobretudo dos mais pobres. O endividamento pressiona os juros da economia, encarecendo crédito, financiamentos e empréstimos, o que afeta famílias e empresas.
Embora formalmente registrada como “dívida do governo”, ela é, na prática, uma dívida de toda a sociedade: a conta chega ao cidadão na forma de impostos mais altos, serviços públicos precários e custo de vida maior.
Composição
Segundo o documento, a DPF deverá encerrar 2026 com a seguinte composição:
- Títulos vinculados à Selic: de 46% a 50%, atualmente está em 48,3%;
- Títulos corrigidos pela inflação: de 23% a 27%, atualmente está em 25,9%;
- Títulos prefixados: de 21% a 25%, atualmente está em 22%;
- Títulos vinculados ao câmbio: de 3% a 7%, atualmente está em 3,8%.
Os números não levam em conta as operações de compra e venda de dólares no mercado futuro pelo Banco Central, que interferem no resultado.
Os títulos corrigidos por taxas flutuantes aumentam o risco da dívida pública, porque a Selic pressiona mais o endividamento do governo quando os juros básicos da economia sobem. Quando o Banco Central reajusta os juros básicos, a parte da dívida interna corrigida pela Selic aumenta imediatamente.
Em tese, os papéis prefixados trazem mais previsibilidade. Isso porque os juros desses títulos são definidos no momento da emissão e não variam ao longo do tempo. Dessa forma, o Tesouro sabe exatamente quanto pagará de juros daqui a vários anos, quando os papéis vencerem, e os investidores tiverem de ser reembolsados. No entanto, os títulos prefixados têm taxas mais altas que a da Selic e aumentam o custo da dívida pública em momentos de instabilidade econômica.
Prazo
O Plano Anual de Financiamento também abriu uma margem para aumentar o prazo da DPF. No fim de 2025, o prazo médio ficou em quatro anos. O PAF estipulou que ficará de 3,8 a 4,2 anos no fim de dezembro. O Tesouro divulga as estimativas em anos, não em meses. A parcela da dívida que vence nos próximos 12 meses encerrará 2025 de 18% a 22%. Atualmente, está em 17,5%.
Segundo o Tesouro, o governo tem dois mecanismos de segurança para garantir a capacidade de financiamento em caso de crise econômica que não permita ao Tesouro lançar títulos no mercado. Em primeiro lugar, o governo tem reservas internacionais suficientes para pagar os vencimentos da dívida pública externa em 2026, de R$ 33,3 bilhões. Além disso, tem um colchão de R$ 1,187 trilhão para cobrir 7,33 meses dos vencimentos da dívida pública interna.
Por meio da dívida pública, o Tesouro Nacional emite títulos e pega dinheiro emprestado dos investidores para honrar compromissos, mais exatamente, para torrar com gastos pouco transparentes e invariavelmente desnecessários. Em troca, o governo se compromete a devolver os recursos com alguma correção, que pode seguir a taxa Selic, a inflação, o câmbio ou ser prefixada, definida com antecedência.


