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sexta-feira, janeiro 23, 2026

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A inflação já comeu o “aumento” do seu salário

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O trabalhador brasileiro começou 2026 com a sensação de alívio ao receber o tradicional reajuste salarial de início de ano. Mas, como ocorre repetidas vezes, esse alívio tem vida curta. Boa parte do ganho nominal concedido já foi absorvida pela inflação ao longo dos últimos 12 meses e, em alguns casos, superada por ela no custo real de vida.

A chamada inflação oficial, utilizada pelo governo para balizar reajustes e negociações salariais, registrou alta de 0,33% em dezembro, ante 0,18% em novembro, acumulando 4,26% em 2025, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta sexta-feira (9). O número coloca o IPCA fora da meta (sem as variações, ou ‘gorduras’) no acumulado de 12 meses, definida em 3%.

É essa inflação, a “oficial”, que aparece nos comunicados e discursos econômicos e serve de referência para políticas públicas. Mas há outra inflação, silenciosa e mais dolorosa, enfrentada diariamente pelo trabalhador no supermercado, na feira, no transporte e na farmácia. Ela não aparece no extrato do IBGE: aparece no carrinho, no prato dos filhos e na geladeira da família.

Custo real de vida

De acordo com o IBGE, o grupo Transportes liderou as altas, com 0,74% em dezembro, puxado por aumentos no transporte por aplicativo (+13,79%) e nas passagens aéreas (+12,61%). Os combustíveis também subiram, ainda que em ritmo menor: o etanol, por exemplo, avançou 2,83% no mês.

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Saúde e cuidados pessoais apareceram logo em seguida, com alta de 0,52%, influenciados por reajustes em planos de saúde e itens de higiene. Artigos de residência também subiram (0,64%), impactados principalmente por eletrônicos.

Na alimentação, o movimento foi significativo. O grupo subiu 0,27%, com destaque para produtos comuns na mesa brasileira: cebola (+12,01%), batata (+7,65%), carnes (+1,48%) e frutas como mamão (+7,85%) e banana-prata (+4,32%). A alimentação fora do domicílio subiu 0,60%, tendência que impacta diretamente quem almoça fora para trabalhar.

O que sente o trabalhador

O IPCA retrata o custo de vida para famílias com renda de um a 40 salários mínimos. O INPC — indicador mais próximo do universo dos assalariados — acumulou 3,90% em 2025, contra 4,77% no ano anterior. Ele abrange famílias de até cinco salários mínimos, com o chefe assalariado.

Essas métricas ajudam a desenhar o cenário macroeconômico e permitem comparações históricas. Mas elas não capturam integralmente a inflação percebida no cotidiano, especialmente entre os que ganham salário mínimo ou pouco acima dele, onde o peso relativo de alimentação, transporte e saúde no orçamento é infinitamente maior.

Quando o governo anuncia que o salário mínimo subiu e que a inflação está “sob controle”, o trabalhador tende a se perguntar: se tudo subiu, por que meu dinheiro compra menos? A resposta está justamente na diferença entre a inflação calculada e a inflação vivida.

Itens como passagens aéreas — relevantes para o IPCA — são irrelevantes para a maioria dos brasileiros, afinal, pobre não viaja de avião. Sequer viaja. O preço da carne, da cebola, do botijão, da passagem de ônibus ou do lanche fora de casa têm impacto direto sobre a renda disponível, e esse conjunto pesa mais que qualquer percentual divulgado em Brasília.

Poder de compra menor

Mesmo com reajuste, o salário mínimo, ou qualquer correção salarial baseada em índice, não aumenta o poder de compra quando a inflação consome o ganho nominal. Em termos simples: se o trabalhador recebe 5% a mais, mas gasta 5% (ou mais) a mais para viver, ele não avançou; apenas evitou retroceder.

Nos últimos anos, a renda das famílias tem operado nesse limite estreito, com a inflação corroendo silenciosamente a margem de consumo. É por isso que uma família que antes conseguia comprar carne toda semana hoje alterna com frango; ou que antes levava frutas e verduras em maior variedade, mas agora faz escolhas mais rígidas, o famoso “ver o que dá”.

O futuro

A discussão sobre inflação oficial versus inflação real não é apenas estatística: é social e econômica. O Brasil é um país em que mais de 70% dos empregos são do setor de serviços, com forte presença de baixa renda. Se o salário real não cresce, o consumo estagna e, com ele, a economia.

Enquanto isso, o trabalhador brasileiro segue carregando a mesma dúvida a cada ida ao mercado: o salário aumentou, mas aumentou para quem?

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