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sábado, maio 2, 2026

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Falências batem recorde

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O ano de 2025 entrou para a história econômica como um período de forte deterioração da saúde financeira das empresas brasileiras. Dados consolidados de monitoramento empresarial indicam que mais de 5.600 pedidos de recuperação judicial foram protocolados ao longo do ano, um salto de aproximadamente 24% em relação a 2024. Ao fim de dezembro, mais de 5.680 empresas permaneciam sob proteção judicial, o maior contingente já registrado na série histórica. O número não é apenas um indicador jurídico, mas um sintoma claro de estrangulamento de caixa em larga escala.

O ambiente macroeconômico ajuda a explicar o fenômeno. A taxa básica de juros, a Selic, manteve-se em patamar elevado durante boa parte do ciclo recente, encarecendo o crédito e tornando praticamente inviável a rolagem de dívidas para pequenas e médias empresas. O crédito bancário se tornou mais seletivo e caro, ao mesmo tempo em que os custos operacionais continuaram pressionados por inflação acumulada, reajustes de insumos, energia, logística e folha de pagamento. O resultado foi uma combinação perversa: faturamento comprimido e despesas financeiras crescentes.

A inadimplência empresarial também atingiu níveis recordes. Levantamentos de birôs de crédito apontam que mais de oito milhões de CNPJs estavam negativados até julho de 2025, um patamar inédito. Isso significa que uma parcela expressiva do tecido produtivo nacional opera com restrições severas de acesso a crédito, muitas vezes recorrendo a linhas mais caras ou simplesmente interrompendo investimentos e contratações. O setor de serviços e o comércio, tradicionalmente mais sensíveis à oscilação do consumo e ao custo do capital de giro, figuram entre os mais afetados.

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O número de falências decretadas também cresceu de forma significativa nos últimos anos, consolidando uma tendência que se acentuou após o período de estímulos emergenciais da pandemia. Se naquele momento houve programas de crédito subsidiado e postergação de obrigações que amorteceram a crise, agora o cenário é de ajuste duro. Empresas que sobreviveram artificialmente ao choque de 2020 e 2021 enfrentam, em 2025 e 2026, a conta acumulada de dívidas, juros compostos e mercado interno enfraquecido.

Narrativa versus realidade

Esse quadro levanta questionamentos inevitáveis sobre a narrativa oficial de aquecimento econômico sustentado e queda consistente do desemprego. Se milhares de empresas recorrem à recuperação judicial e milhões acumulam restrições financeiras, é razoável perguntar: quem está expandindo contratações em ritmo suficiente para justificar indicadores positivos do mercado de trabalho?

Parte da explicação pode estar na expansão da informalidade, no crescimento do trabalho por conta própria e em ocupações de baixa produtividade, que conceitualmente não são emprego, mas estatisticamente passaram a ser utilizadas para reduzir a taxa de desemprego. O cidadão que tem contas para pagar e a responsabilidade de pôr comida na mesa, recorre à bicos e outros meios de obter renda, mas isso não reflete dinamismo empresarial robusto, é mera questão de sobrevivência.

Há ainda um descompasso entre os dados agregados e a realidade microeconômica. Enquanto indicadores macro podem apontar estabilidade ou crescimento moderado do PIB, o cotidiano das empresas revela margens comprimidas, dificuldade de acesso a capital e aumento do risco jurídico e tributário. O resultado é um ambiente de incerteza que freia investimentos e reforça o ciclo de baixo crescimento.

O recorde de recuperações judiciais em 2025 não é um evento isolado, mas a expressão numérica de um modelo que combina elevada carga tributária, complexidade regulatória e custo financeiro alto.

Sem mudanças estruturais que reduzam o custo de empreender e ampliem o acesso a crédito sustentável, o país corre o risco de transformar a recuperação judicial em regra, e não exceção. Em um cenário assim, a pergunta permanece incômoda e necessária: se as empresas estão lutando para sobreviver, de onde virá o crescimento sólido e sustentável do emprego formal nos próximos anos?

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