
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), principal indicador da inflação no país, fechou outubro em 0,09%, segundo dados divulgados nesta terça-feira (11) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Embora o número pareça baixo, o acumulado em 12 meses atingiu 4,68%, ainda acima da meta do governo, de 3%. É o 13º mês consecutivo em que o índice ultrapassa o teto da meta, um retrato claro da fragilidade da política econômica e da falta de medidas eficazes para conter o avanço do custo de vida, que já consome a renda das famílias brasileiras, sobretudo das classes média e baixa.
O grupo de alimentação e bebidas, que mais pesa no orçamento doméstico, praticamente não variou em outubro, com alta tímida de 0,01%. Mas, por trás da aparente estabilidade, estão aumentos expressivos em itens básicos: a batata-inglesa disparou 8,56%, o óleo de soja subiu 4,64% e o arroz, embora tenha recuado ligeiramente no mês, acumula alta de dois dígitos no ano. A sensação de alívio é ilusória. O que se vê nas feiras e supermercados é o carrinho do brasileiro cada vez mais vazio, enquanto o poder de compra do salário mínimo é corroído mês após mês. A consequência, o prato vazio.
Entre os 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, os maiores aumentos vieram do aluguel residencial (0,93%) e das passagens aéreas (4,48%). Juntos, esses itens responderam por 0,03 ponto percentual do IPCA. O problema é que, enquanto os preços sobem, o governo permanece paralisado, apostando em discursos de “controle inflacionário” que não se confirmam na prática. O Banco Central, por sua vez, mantém a taxa básica de juros (Selic) em 15% ao ano, o maior patamar desde julho de 2006, quando estava em 15,25%.

O juro alto tem sido o principal instrumento de combate à inflação, mas seu efeito colateral é devastador. Ao encarecer o crédito, desestimula o consumo e os investimentos produtivos, freando o crescimento econômico e ampliando o desemprego. O resultado é um círculo vicioso: o povo consome menos, as empresas vendem menos e demitem mais.
A política econômica atual parece presa a um modelo ultrapassado, incapaz de estimular o desenvolvimento e proteger o trabalhador. O Executivo insiste em medidas paliativas, enquanto o Congresso Nacional assiste inerte, mergulhado em disputas políticas e interesses eleitorais, sem propor reformas estruturais que possam destravar a economia. O país segue atolado em uma combinação perversa de juros altos, baixo crescimento e inflação persistente.
Para o cidadão comum, especialmente o de baixa renda, os números frios do IBGE se traduzem em realidades amargas: carrinhos de supermercado cada vez mais vazios, aluguel pesando no bolso, transporte caro e contas que não fecham no fim do mês.
Para o governo, a inflação de 4,68% é apenas mais um dado estatístico, mascarado por promessas de retomada econômica que nunca se concretizam. Enquanto isso, a classe média encolhe, a pobreza se expande e o país continua à deriva, à espera de uma política econômica que vá além do discurso e enfrente, de fato, a realidade.


