
Em pouco mais de uma década, o percentual de brasileiros economicamente ocupados diminuiu, segundo dados do Censo 2022 divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O levantamento mostra que o nível de ocupação da população caiu de 55,5%, em 2010, para 53,3% em 2022, evidenciando uma retração no mercado de trabalho.
Os dados são baseados em respostas de cerca de 10% da população, selecionada de forma aleatória para compor uma amostra representativa. Esse grupo respondeu a um questionário mais detalhado do que o aplicado aos demais brasileiros, permitindo uma análise mais ampla sobre trabalho e rendimentos.
Segundo o levantamento, no que diz respeito à faixa etária dos trabalhadores, entre os adolescentes de 14 a 17 anos, 11,1% já exerciam algum tipo de atividade laboral no momento da pesquisa. Na outra extremidade, 14,9% das pessoas com 65 anos ou mais também estavam trabalhando, muitas vezes por necessidade, e não apenas por opção, refletindo o impacto da renda insuficiente e da aposentadoria defasada.

As diferenças regionais reforçam as desigualdades históricas do país. Enquanto a média nacional de ocupação foi de 53,3%, as regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul apresentaram índices superiores, com destaque para o Sul, que registrou o maior percentual de pessoas ocupadas (60,3%). No Norte e no Nordeste, menos da metade da população com mais de 14 anos estava empregada: 48,4% e 45,6%, respectivamente.
Os resultados do Censo apontam, portanto, para um cenário em que o discurso do crescimento econômico e da suposta redução do desemprego não tem se traduzido em ampliação consistente das oportunidades de trabalho.


