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sábado, setembro 26, 2026

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Endividamento assola famílias e empresas

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Enquanto indicadores oficiais de renda e emprego são usados para sustentar a narrativa de melhora das condições econômicas no país, os dados do Banco Central mostram uma realidade bem menos confortável para famílias e empresas brasileiras. O endividamento segue em trajetória de alta, a inadimplência cresce e o comprometimento da renda avança, revelando limites claros da política econômica adotada.

Segundo o Banco Central, a inadimplência, considerada nos atrasos superiores a 90 dias, atingiu 3,8% em novembro. O índice é ainda mais elevado entre as pessoas físicas, chegando a 4,7%, enquanto nas operações com pessoas jurídicas ficou em 2,3%. Trata-se de um patamar que indica deterioração da capacidade de pagamento, especialmente das famílias, pressionadas por juros elevados, inflação persistente em serviços e renda real insuficiente para absorver o custo do crédito.

O endividamento das famílias, medido pela relação entre o saldo das dívidas e a renda acumulada em 12 meses, alcançou 49,3% em outubro. Houve aumento de 0,2 ponto percentual no mês e de 1,2 ponto percentual em 12 meses. Mesmo quando se exclui o financiamento imobiliário, que responde por uma fatia relevante das dívidas de longo prazo, o indicador permanece elevado, em 30,9%. Isso demonstra que o problema não está restrito à compra da casa própria, mas se espalha pelo crédito ao consumo, cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais.

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Outro dado que reforça o quadro de fragilidade é o comprometimento da renda. Em outubro, 29,4% da renda média das famílias estava destinada ao pagamento de dívidas, alta de 0,6 ponto percentual em relação ao mês anterior e de 2,2 pontos percentuais em 12 meses. Isso significa menos espaço no orçamento para consumo básico, poupança ou imprevistos, o que aumenta o risco de inadimplência futura.

Esses indicadores, embora divulgados com defasagem, utilizam dados da Pnad, do IBGE, e são consolidados pelo Banco Central. É justamente aí que se evidencia uma das principais distorções do debate econômico atual. De um lado, estatísticas agregadas do IBGE apontam melhora no mercado de trabalho e crescimento da renda média. De outro, os dados do sistema financeiro revelam que essa renda não tem sido suficiente para reduzir dívidas ou aliviar o orçamento das famílias. O resultado é uma economia formalmente “empregada”, mas financeiramente estrangulada.

Entre as empresas, o cenário também inspira cautela. A inadimplência de 2,3% nas operações com pessoas jurídicas reflete o impacto do custo do crédito elevado, da carga tributária complexa e da desaceleração do consumo. Pequenas e médias empresas, mais dependentes de capital de giro bancário, sentem de forma mais intensa os efeitos de uma política econômica que prioriza o equilíbrio fiscal no discurso, mas mantém condições financeiras restritivas na prática.

O avanço simultâneo do endividamento e do comprometimento da renda expõe falhas claras na condução da política econômica. A aposta excessiva em estímulos pontuais, sem enfrentar o problema estrutural dos juros altos e da baixa produtividade, cria uma ilusão de crescimento que não se sustenta no orçamento das famílias nem no caixa das empresas. O descompasso entre os dados celebrados oficialmente e aqueles apurados pelo Banco Central revela que a economia real segue operando sob forte pressão, distante do otimismo propagado em discursos e relatórios seletivos.

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