O economista André Lara Resende, apontado historicamente pelo ex-presidente Fernando Collor como um dos idealizadores da proposta de “bloqueio de liquidez” (que resultou no confisco da poupança de 1990), não assumiu um cargo oficial no governo, mas voltou ao centro do palco econômico e chega a ser cotado para atuar como conselheiro ou assumir o Ministério da Fazenda.
A volta do nome do economista aos holofotes em novembro de 2026 ocorre em meio a propostas recentes feitas por ele e a uma reunião prevista com o Lula da Silva.
André Lara Resende (que também foi um dos formuladores do Plano Real) publicou artigos defendendo que o principal problema fiscal do país é o custo dos juros da dívida pública, e não os gastos governamentais. Ele propõe forçar uma redução gradual da taxa Selic para cerca de 7,5% em 12 meses.
Ele tem agendas previstas para apresentar essas ideias diretamente ao presidente Lula, sugerindo a criação de um novo Conselho Fiscal e Monetário Nacional para coordenar as taxas e fixar a Selic em patamares baixos a longo prazo.
A possibilidade de o governo adotar as teses heterodoxas de Lara Resende e a especulação de seu nome para a equipe econômica geraram forte reação e alertas no mercado financeiro. Críticos comparam a estratégia de “derrubar os juros na canetada” sem um ajuste fiscal prévio a experimentos econômicos que geraram inflação descontrolada no passado, como na Turquia.
A circulação de vídeos e publicações resgatando as declarações antigas de Fernando Collor (que afirmou que Lara Resende sugeriu a retenção dos depósitos em 1990 para conter a hiperinflação) serve como munição política e divide opiniões: setores da oposição criticam a proximidade do economista com o governo atual, enquanto aliados defendem suas propostas para destravar o crescimento econômico do país.


