
A prévia da inflação oficial de outubro voltou a acender o alerta vermelho na economia brasileira. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), divulgado nesta sexta-feira (24) pelo IBGE, registrou alta de 0,18% no mês, pressionado principalmente pelos combustíveis. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice chega a 4,94%, superando novamente a meta oficial de 3% ao ano estabelecida pelo governo.
O resultado reforça o que o consumidor já sente no bolso: a vida está mais cara e, como sempre, quem mais sofre é quem menos ganha. O aumento no preço da gasolina, de 0,99%, e do etanol, de 3,09%, atinge diretamente o transporte público, o custo dos alimentos e o preço de praticamente tudo que depende de logística, ou seja, toda a economia popular. O grupo “Transportes” foi o maior responsável pela alta do mês, com impacto de 0,08 ponto percentual no índice geral, impulsionado ainda pelas passagens aéreas, que subiram 4,39%.
A projeção do Boletim Focus, do Banco Central, aponta que a inflação deve encerrar 2025 em torno de 4,7%, longe da meta e da promessa de “controle de preços” repetida por autoridades econômicas. Na prática, o governo segue tentando vender a narrativa de estabilidade enquanto o poder de compra da população continua derretendo.

O contraste é gritante. De um lado, discursos otimistas sobre crescimento e “responsabilidade fiscal”. De outro, o cotidiano de milhões de famílias que voltam a escolher entre abastecer o carro, pagar o gás ou completar a feira da semana. A inflação que o governo tenta relativizar é a mesma que o trabalhador de baixa renda enfrenta todos os dias ao ver o salário perder força diante de produtos básicos cada vez mais caros.
O problema não está apenas nos números, mas na condução da política econômica. A ausência de medidas estruturais, o avanço de gastos sem transparência e a insistência em soluções de curto prazo transformaram a inflação em um sintoma crônico de desgoverno.
Enquanto Brasília se ocupa em justificar índices e maquiar estatísticas, o cidadão comum, aquele que não aparece nos relatórios do IBGE, continua pagando a conta. É ele quem sustenta a máquina pública que parece ter se esquecido de que economia saudável começa com estabilidade real, não com discursos de gabinete.


