
O Brasil não conseguiu alcançar a meta nacional de alfabetização estabelecida para 2024. Segundo dados oficiais divulgados pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep), apenas 59,2% das crianças matriculadas na rede pública estavam alfabetizadas ao fim do segundo ano do ensino fundamental. A meta era atingir, ao menos, 60%, um índice, ainda assim, pífio.
O levantamento integra o Indicador Criança Alfabetizada, criado dentro do Compromisso Nacional Criança Alfabetizada (CNCA), que busca garantir que todos os alunos aprendam a ler e escrever até os sete anos de idade. O resultado mostra que praticamente quanto, entre dez crianças brasileiras, terminam os dois primeiros anos da escola sem conseguir ler ou escrever.
De acordo com o MEC, uma criança é considerada alfabetizada quando demonstra capacidade de ler palavras, frases e pequenos textos, identificar informações explícitas e inferir sentidos em textos curtos, além de escrever pequenos bilhetes ou convites, ainda que com erros ortográficos. Essa definição é usada para avaliar de forma padronizada as turmas do segundo ano em todo o país.
Os dados de 2024 mostram que o país amarga desigualdades marcantes. Regiões, especialmente do Norte e do Nordeste, continuam apresentando números preocupantes.

O governo federal atribui parte das dificuldades à defasagem provocada pela pandemia (aquela de 2020, há cinco anos, quando essas crianças sequer estavam na escola) e à desigualdade estrutural entre as redes de ensino. Mesmo assim, o MEC defende que os resultados indicam uma tendência de recuperação.
Especialistas, no entanto, alertam que o atraso na alfabetização tem impacto direto sobre toda a trajetória escolar, reduzindo o desempenho em disciplinas básicas e ampliando a evasão no ensino fundamental. “Uma criança que não é plenamente alfabetizada até os sete anos tem muito mais dificuldade de acompanhar as etapas seguintes e pode carregar lacunas por toda a vida escolar”, explica a pesquisadora Ilona Becskeházy, especialista em políticas educacionais.
O desafio, portanto, continua sendo imenso. A meta não foi atingida, e o dado de 59,2% de alfabetização revela uma ferida antiga do sistema educacional brasileiro: a incapacidade de garantir o direito básico de ler e escrever para todas as crianças. Enquanto alguns estados avançam e outros ficam para trás, o país ainda busca um caminho consistente para romper o ciclo de exclusão e desigualdade que começa justamente nas primeiras letras.


