27.9 C
Brasília
segunda-feira, abril 20, 2026

ANUNCIE

O tarifaço de Trump e o efeito cascata nos preços no Brasil

Marcos Machado

O governo dos Estados Unidos surpreendeu, ou não, o mercado ao anunciar uma tarifa de 50% sobre os produtos brasileiros exportados para o território americano. A medida, que inicialmente parece restrita ao âmbito do comércio exterior, pode provocar desdobramentos bem mais profundos na economia nacional e, sobretudo, no bolso do consumidor brasileiro. Com um efeito dominó sobre os preços internos, o tarifaço acende um alerta: o Brasil corre o risco de uma nova onda inflacionária como a hiperinflação?

A decisão do governo norte-americano de impor o “tarifaço” sobre produtos brasileiros não surgiu do nada. O estopim foi a postura ideológica do Brasil na última reunião do BRICS, marcada por uma clara tentativa — liderada por regimes autoritários como China e Rússia — de desestabilizar o dólar como moeda dominante no comércio global. Ao alinhar-se com essas ditaduras e endossar iniciativas que ameaçam diretamente os interesses econômicos dos Estados Unidos, o Brasil se colocou no centro do radar retaliatório da Casa Branca. A resposta veio rápida e dura, e os efeitos já começaram a ser sentidos na cadeia produtiva e no custo de vida.

Em contraste, a Argentina, que recentemente buscou reaproximação diplomática com os EUA e se afastou de discursos antiocidentais, teve suas tarifas zeradas. O contraste é gritante e serve como alerta: em vez de fortalecer laços com nações democráticas e economicamente sólidas, o governo brasileiro preferiu jogar no time dos isolados internacionais. Essa opção, embebida de ideologia e desconectada da realidade geopolítica, enfraquece nossa economia e deteriora nossa imagem externa colocando em risco o bem-estar da população. É mais do que um erro de cálculo, é uma imbecilidade.

Ainda que o governo americano não tenha detalhado publicamente os motivos da medida, especialistas apontam para um provável gesto de retaliação, ou melhor, pressão, seja por descompassos nas negociações comerciais, seja por disputas envolvendo questões ambientais ou geopolíticas e, especialmente, circunstâncias políticas. Independentemente da causa, o impacto é imediato e real: produtos brasileiros que antes tinham relativa competitividade no mercado americano perderão espaço, com provável queda nas exportações.

Há a interpretação de que o propósito embutido objetiva estimular o setor produtivo a cobrar do Congresso Nacional a adoção de medidas políticas urgentes e eficazes a fim de restabelecer o estado democrático de direito no Brasil e sua ordem constitucional, e recolocar o Brasil no cenário mundial de países livres e não atrelado a ditaduras. O parlamento, com suas lideranças eleitas, tem se mostrado apático e inoperante diante decisões governamentais que o colocam em situações de conflito com a Constituição, a liberdade democrática e o estado de direito, como argumentam senadores em pronunciamentos.

Entre os principais setores afetados estão o agronegócio (especialmente soja, carne e café), a siderurgia e a indústria de bens de consumo intermediário. Esses

Quem matou o português?

segmentos, além de representarem parte significativa do PIB brasileiro, também abastecem o mercado interno. Ou seja, a redução da demanda externa pode redirecionar excedentes para o mercado nacional, mas não necessariamente a preços menores.

QUEM MATOU O PORTUGUÊS? Clique para comprar

Quando o mercado externo se fecha, os produtores brasileiros tendem a perder escala e margem de lucro, e isso gera distorções nos custos. Além disso, a pressão do dólar, que costuma subir em momentos de tensão comercial, eleva o custo de insumos importados, energia, combustíveis e até produtos eletrônicos. A conta começa, então, a ser repassada para toda a cadeia produtiva: da matéria-prima ao supermercado.

Ele se espalha, silencioso e persistente, pelos corredores dos supermercados, pelas gôndolas das farmácias e pelas faturas dos cartões de crédito das famílias brasileiras.

Esse encarecimento nos custos de produção pode levar à alta generalizada de preços, atingindo diretamente o consumidor final. Em um cenário de consumo já retraído e crédito caro, a inflação volta ao centro do debate econômico. Especialistas falam até mesmo em risco de hiperinflação, caso a medida dos EUA seja apenas o estopim de uma crise comercial mais ampla e duradoura.

Empresas que dependem de peças, máquinas, combustíveis ou fertilizantes importados verão seus custos operacionais aumentarem. Com o dólar valorizado e a insegurança econômica, o empresário brasileiro tende a se proteger repassando esses custos aos produtos finais. Isso afeta desde o pão na padaria até o valor da conta de luz, passando por roupas, eletrônicos, materiais escolares e alimentos industrializados.

A pressão inflacionária tende a forçar o Banco Central a reagir com alta dos juros, uma medida para conter o consumo, mas que pode agravar a estagnação econômica, desacelerar investimentos e gerar mais desemprego. Ou seja, cria-se um ciclo vicioso.

Ainda é cedo para prever o alcance total da medida, mas os sinais são preocupantes. A resposta do governo brasileiro será determinante: retaliações podem agravar a guerra comercial e fechar ainda mais as portas para o Brasil. Uma postura passiva pode comprometer setores inteiros da economia nacional.

O certo é que, num mundo globalizado, medidas protecionistas como essa ultrapassam fronteiras e quando a maior economia do planeta impõe barreiras comerciais a um parceiro de peso como o Brasil, o impacto não se limita ao agronegócio ou à balança comercial. Ele se espalha, silencioso e persistente, pelos corredores dos supermercados, pelas gôndolas das farmácias e pelas faturas dos cartões de crédito das famílias brasileiras.

O tarifaço americano não é apenas um problema de exportação. É uma bomba-relógio que, se não for desarmada a tempo, pode colocar a economia brasileira novamente na berlinda.

A saída mais rápida e eficaz é via Congresso Nacional, que deveria assumir suas prerrogativas constitucionais e agir. Afinal, seus membros foram eleitos para isto.

QUEM MATOU O PORTUGUÊS? Clique para comprar

*Jornalista profissional diplomado, editor do portal Do Plenário, escritor, psicanalista, cientista político ocasional autoproclamado, analista sensorial, enófilo, adesguiano, consultor de conjunturas e cidadão brasileiro protegido (ou não) pela Constituição Brasileira, observador crítico da linguagem e da liberdade

relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique conectado

667FãsCurtir
756SeguidoresSeguir
338SeguidoresSeguir
- Publicidade -spot_img

Últimos artigos