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domingo, maio 31, 2026

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Piedade, a capital brasileira da alcachofra

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Pouca gente sabe, mas a alcachofra é uma flor. Colhida antes de se abrir completamente, quando suas pétalas ainda protegem um coração macio e saboroso, ela se transforma em um dos ingredientes mais valorizados da culinária e símbolo da agricultura paulista.

É em São Paulo que essa flor ganha o maior espaço de cultivo do Brasil. O município de Piedade, no interior do estado, responde por cerca de 90% da produção nacional, consolidando-se como a capital brasileira da alcachofra. Ali, tradição e conhecimento se unem há gerações, e foi de lá que saíram as mudas que hoje abastecem produtores de todo o país.

A cultura faz parte da identidade local. “São poucos produtores, mas com muita relevância para o Brasil. Nossa alcachofra é reconhecida pela qualidade, resultado de décadas de dedicação e preparo cuidadoso”, destaca Otávio Freitas Neves, produtor de Piedade e herdeiro de uma família que cultiva a flor há mais de 60 anos.

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Com clima ameno e solo fértil, a cidade oferece as condições ideais para o cultivo. A colheita ocorre, em geral, uma vez por ano, mas técnicas de indução hormonal permitem uma segunda safra, ampliando a produtividade e o abastecimento. Versátil, a alcachofra também se destaca na gastronomia: é usada em pratos sofisticados ou simples, sempre valorizando o sabor paulista que vem do campo.

Reconhecendo essa importância, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo (SAA) apoia os produtores por meio da Diretoria de Assistência Técnica Integral (CATI), oferecendo orientação, acesso a crédito rural, apoio para regularização ambiental e incentivo à comercialização em programas institucionais, como a merenda escolar.

Além do suporte técnico, São Paulo também investe em pesquisa e inovação para manter viva a tradição da flor. Na Apta Regional de São Roque, próxima a Piedade, uma equipe trabalha para modernizar o cultivo e recuperar o vigor genético da tradicional alcachofra “Roxa de São Roque”. O projeto, coordenado pelo pesquisador Wilson Tivelli, começou em 2010 e ganhou força a partir de 2020, em parceria com o Instituto Biológico (IB-Apta) e a CATI Sementes e Mudas.

Após décadas de multiplicação vegetativa, a planta havia perdido força devido à contaminação por vírus. A iniciativa envolveu a identificação dos vírus presentes nas plantas, a limpeza do material genético em laboratório e a produção de novas mudas livres de contaminação. Em 2023, essas mudas foram reintroduzidas no campo, em dois sistemas de cultivo: o tradicional, com linhas simples, e um modelo experimental em linhas duplas, que busca aumentar a densidade de plantio e, consequentemente, elevar a rentabilidade dos produtores.

“O objetivo é garantir que a alcachofra continue sendo um símbolo cultural e econômico de São Roque e de toda a região, unindo tradição, ciência e inovação”, afirma Tivelli.

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