
Um levantamento divulgado pela Serasa mostra um retrato preocupante da situação financeira das empresas brasileiras em 2025. No primeiro semestre deste ano, 4.881 empresas entraram com pedidos de falência ou recuperação judicial, o que representa um aumento de 6,9% em relação ao último trimestre de 2024. O dado reforça a tendência de fragilidade do ambiente empresarial, já que muitas organizações não conseguem manter suas operações diante do aperto no crédito, da queda no consumo e do aumento dos custos operacionais.
O quadro se agrava ao observar o número de pedidos de recuperação judicial, que disparou em 2024 com alta de 61,8%, totalizando 2.273 solicitações, o maior volume da série histórica da Serasa. A estatística indica que um número crescente de empresas tenta negociar prazos e condições para evitar a falência definitiva, em uma tentativa de ganhar fôlego diante da deterioração das contas.
O levantamento aponta que a inadimplência empresarial segue em alta. Cada vez mais negócios enfrentam dificuldades para honrar compromissos básicos, como pagamento de fornecedores, salários e encargos tributários. Esse cenário pressiona cadeias produtivas inteiras, uma vez que o atraso de uma empresa afeta o caixa de outras, criando um efeito em cascata que amplia o risco de colapso em determinados setores.

Especialistas avaliam que a combinação de juros elevados, restrição no acesso a crédito e retração da demanda doméstica está entre os principais fatores que levam empresas a buscar proteção judicial ou a encerrar suas atividades. O fenômeno não se limita a pequenos negócios: médias e grandes companhias também têm recorrido cada vez mais à recuperação judicial como forma de tentar sobreviver.
O crescimento dos pedidos de falência e recuperação judicial, somado ao aumento da inadimplência, reforça sinais de alerta sobre a saúde financeira do setor produtivo no Brasil. A situação mostra que, apesar de indicadores oficiais apontarem para “estabilidade” no mercado de trabalho e queda do desemprego, o ambiente empresarial enfrenta um dos períodos mais críticos dos últimos anos.
Alguém está mentindo. Será o cidadão?


