Seguindo a tendência de alta observada desde o início de ano, o mês de maio registrou um novo pico de endividados no País desde julho. Segundo dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 78,2% das famílias brasileiras relataram ter algum tipo de dívida no período, alta de 0,6 ponto percentual frente a abril.
Nos comparativos mensal e anual, chamou a atenção o aumento do número de inadimplentes, que cresceu 0,4 p.p. em relação a abril deste ano e 0,9 p.p. a maio anterior, chegando aos 29,5%, o maior pico desde outubro de 2023. Entre os que têm dívidas em atraso, 12,5% afirmaram que não têm condições de pagar. No mês equivalente do ano passado, esse número foi de 12%.
“O avanço na inadimplência evidencia um aumento da fragilidade financeira das famílias. O crédito precisa ser acessado com responsabilidade. Garantir o equilíbrio entre endividamento e capacidade de pagamento será fundamental para o crescimento do País”, afirma o presidente do Sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros.
Longo prazo
Um dos dados que mais chamam a atenção na pesquisa é a redução do tempo das dívidas. O número de famílias com compromissos de mais de um ano recuou pelo quinto mês seguido, alcançando 32,8%, o menor índice desde junho. Em contrapartida, houve crescimento nas faixas de curto e médio prazos, o que aponta maior adesão a formas de crédito com vencimentos mais próximos.
“As projeções da CNC indicam que o endividamento das famílias deve continuar crescendo ao longo de 2025. No entanto, a expectativa de alta também da inadimplência pode desacelerar esse movimento. O cenário se agrava com a perspectiva de novos programas de crédito do governo, que podem elevar ainda mais o comprometimento da renda dos lares brasileiros”, avalia o economista-chefe da CNC, Felipe Tavares.
Entre os tipos de crédito utilizados, o cartão de crédito permanece como a principal modalidade, sendo mencionado por 83,6% dos endividados. Os carnês voltaram a se destacar e aparecem na segunda posição (17,2%), seguidos pelo crédito pessoal (10,6%), cuja procura cresceu, respectivamente, 1,0 e 0,8 ponto percentual em um ano.
Percepção das dívidas
A pesquisa também aferiu que o índice de consumidores que se consideram “muito endividados” aumentou para 15,5% (+0,1 no mês), ao passo que cresceu também o grupo que se percebe “pouco endividado”, correspondendo a 33,4% (+1). Esta é uma evidência da polarização da forma como os brasileiros vêm enfrentando suas obrigações financeiras. Vale lembrar que este dado tem caráter subjetivo e reflete a percepção das famílias.
Em relação a abril, o endividamento aumentou em quase todas as faixas de renda, com destaque para as famílias que recebem de cinco a dez salários mínimos, cuja alta foi de 3,2 pontos percentuais. Esse grupo também se consolidou como o mais pressionado, mostrando maior dificuldade para quitar as contas, com alta de 1,5 p.p. na variação mensal e 0,4 na anual (22,8%). A inadimplência cresceu de forma mais expressiva entre as famílias que ganham de três a cinco salários mínimos, com aumento de 2,8 p.p. na comparação com maio do ano passado.
Homens puxam inadimplência
Por mais um mês, o aumento das dívidas foi mais intenso entre os homens, que registraram, desta vez, alta de um ponto percentual, ultrapassando o patamar do período equivalente em 2024 (77,9%) ao atingirem 78,2%. Entre as mulheres, o índice permaneceu abaixo do registrado no ano anterior (80%), caindo 1,9 p.p., no comparativo, ao registrar 78,1%.
Em relação à inadimplência, o público masculino também liderou o avanço, com crescimento de 1 p.p. frente a abril (29,6%), enquanto entre as mulheres houve queda de 0,4 p.p (29,2%). O cenário reforça a necessidade de atenção ao comportamento financeiro masculino, que vêm apresentando maior fragilidade segundo os indicadores.
(Com informações da CNC)


