19.9 C
Brasília
terça-feira, julho 14, 2026

ANUNCIE

É preciso trabalhar 105 horas e 51 minutos no mês só para comer

R$ 8.110,92. É este o valor que o salário mínimo deveria ter, segundo cálculo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos – Dieese, a partir da cesta básica mais cara de junho de 2026. Esse custo equivale a aproximadamente cinco vezes o valor vigente.

O último levantamento da Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, referente a junho de 2026, aponta que o custo do conjunto de alimentos essenciais aumentou em 17 capitais brasileiras. O estudo é coordenado pelo Dieese em parceria com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab).

Os maiores valores foram encontrados em São Paulo (R$ 965,47), Cuiabá, Rio de Janeiro e Florianópolis. O feijão subiu em todas as capitais, junto com arroz, carne bovina e leite. Apesar de ter a cesta mais cara, o salário mínimo estadual em São Paulo é de R$ 1.874,36, por determinação do governador Tarcísio de Freitas. Este piso regional é destinado a mais de 70 categorias de trabalhadores que não possuem convenção ou acordo coletivo próprio. No resto do país, o salário mínimo determinado pelo governo federal é de R$ 1.621.

No primeiro semestre, todas as capitais registraram aumento no custo da cesta básica, variando de 4,02% (São Luís) a 21,48% (Fortaleza).

A cesta básica oficial do Dieese é calculada para sustentar uma pessoa adulta durante um mês inteiro (30 dias). Para saber o gasto mensal de uma família com quatro pessoas, multiplica-se o valor da cesta individual por três.

Um trabalhador que recebe o salário mínimo precisa trabalhar mais de 100 horas por mês apenas para pagar a sua própria alimentação. Isto, é claro, sem considerar outras despesas. É só para comer, e comer mal. Apenas um salário mínimo nacional vigente (R$ 1.621,00) é insuficiente para cobrir os custos de alimentação de uma família de quatro pessoas no Brasil.

A compra das cestas básicas necessárias ultrapassa o valor total do salário em qualquer capital do país. O cálculo oficial do Dieese para uma família de quatro pessoas (dois adultos e duas crianças) equivale ao custo de três cestas básicas individuais. Com base nos dados de junho de 2026, o impacto no orçamento é:

Em São Paulo um família, levando em conta o salário mínimo nacional, gastaria R$ 2.896,41 com alimentação básica. Isso significa que seriam necessários 1,8 salário mínimo apenas para comprar a comida. O gasto com alimentação consome 178% de um único salário.

Em Aracaju, o custo familiar fica em R$ 1.891,20. Mesmo na capital mais barata, o valor ultrapassa o piso nacional, consumindo 116% dele.

Impacto

Para fins de comparação sobre o peso dos alimentos no bolso, o Dieese aponta o impacto de uma única cesta individual para quem ganha um salário mínimo. Cerca de 52% do salário mínimo líquido de um único trabalhador é gasto exclusivamente com a sua própria alimentação. O cidadão precisa trabalhar 105 horas e 51 minutos no mês (o equivalente a quase 13 dias inteiros de serviço) apenas para pagar a sua própria comida, sem contar os dependentes e as outras despesas como roupas, calçados, água e luz, material escolar, remédios, lazer, aluguel ou prestação etc.

relacionados

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Fique conectado

667FãsCurtir
756SeguidoresSeguir
338SeguidoresSeguir
- Publicidade -
- Publicidade -spot_img

Últimos artigos