
O Brasil viveu, em 2023, um crescimento econômico pífio e cercado de incertezas: o PIB nacional avançou apenas 3,2%, segundo dados do Sistema de Contas Regionais do IBGE. Por trás desse número insignificante, pulsa uma força bruta e estratégica: o agronegócio, que elevou oito estados a taxas de expansão muito superiores à média nacional.
Os estados alavancados pelo agro — Acre, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Tocantins, Goiás, Paraná, Roraima e Minas Gerais, além de Brasília-DF — registraram crescimento de até impressionantes 14,7% em 2023.
Particularmente simbólica é a virada do Mato Grosso do Sul, cujo PIB cresceu 13,4%, mais que quatro vezes a taxa média brasileira, impulsionado por safras recordes e ganhos de produtividade no campo.
No Mato Grosso, a agropecuária disparou. Segundo a Seplag, o setor cresceu 27,2% no ano, contra 3,6% da indústria e 3,2% dos serviços. No quarto trimestre, o desempenho foi ainda mais forte: 15,5% de crescimento no agronegócio. Esses números não são obra do acaso, mas consequência direta de investimentos, planejamento e know-how do campo brasileiro.
É preciso dizer com clareza: esse triunfo econômico do agro acontece apesar de um governo federal hostil, que muitas vezes menospreza o setor, impõe obstáculos regulatórios e alimenta uma retórica ideológica que pinta a produção rural como vilã. Para esses estados, no entanto, o agronegócio não é apenas fonte de riqueza, é pilar de desenvolvimento, gerador de empregos, catalisador de inovação e sustento para milhões de pessoas.

O agronegócio, mais do que produzir alimentos, tem sido o motor silencioso, porém poderoso, da descentralização econômica no Brasil. Enquanto regiões tradicionalmente dominantes, como São Paulo, registram crescimento modesto, o Centro-Oeste e outras regiões agrárias ganham protagonismo. Mato Grosso, por exemplo, ampliou sua participação no PIB nacional: era 1,3% em 2002 e passou a 2,5% em 2023.
O resultado vai muito além de números: é uma declaração clara de que o Brasil pode, sim, alicerçar seu futuro em atividades produtivas, exportadoras, modernizadas e sustentáveis. Em Mato Grosso do Sul, por exemplo, o crescimento do PIB agropecuário atingiu 32%, segundo dados do governo estadual, reforçando que a lógica de expansão para além do “agronegócio tradicional” é real.
Enquanto parte do governo insiste em desmantelar políticas de apoio, reduzir crédito para produtores ou ignorar a relevância estratégica do campo, o agro segue construindo riqueza, impulsionando estados inteiros e provando que é não apenas o alicerce mais robusto da nossa economia, mas também uma potência política de recomposição nacional.
Se há crítica a ser feita, que seja àqueles que subestimam o setor, que apostam em narrativas curtas, que tentam domesticar o agronegócio a interesses ideológicos esvaziados. Porque os dados do IBGE deixam claro: o agro é o Brasil que cresce de verdade, e qualquer plano de desmonte ou desvalorização só pode ser visto como suicídio econômico, e talvez seja esta a ideia, não é, mesmo?


