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quarta-feira, maio 6, 2026

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Pronunciamento, ou provocação?

Marcos Machado

Na noite de quinta-feira (17), Lula da Silva reapareceu em cadeia nacional com o tom professoral e messiânico de sempre, mas sem conteúdo concreto que justificasse o uso de um canal tão solene. Em vez de apresentar soluções para os inúmeros problemas que assolam o país, ele optou pelo velho expediente de distorcer os fatos, apelar ao emocional e, sobretudo, transferir a culpa pelo caos. O colapso que seu governo produziu, interna e externamente, agora é atribuído aos “inimigos da democracia”, justamente os brasileiros que se recusam a aceitar a falência completa do Estado, tanto moral quanto econômica e institucional.

O discurso revelou não só uma desconexão com a realidade, o que não é novidade, mas uma tentativa explícita de demonizar os patriotas que ainda ousam questionar os rumos do país. A lógica é perversa: toda reação a um governo desgovernado é tachada de golpe. Se fosse por esse critério, os revolucionários franceses seriam traidores da pátria, e os heróis da Independência do Brasil, agentes do caos. A história ensina que sempre que o povo se levanta contra os desmandos de seus governantes, é porque já não há governo, mas tirania; e onde há tirania, resistir é dever.

Enquanto Luiz Inácio fala em “estabilidade”, o país real afunda entre denúncias de escândalos e desmandos. O caso mais recente e revoltante envolve o INSS, onde milhões de aposentados foram lesados por descontos indevidos em seus benefícios. A “solução” do governo foi anunciar uma medida provisória para ressarcir R$ 3 bilhões do dinheiro que não deveria ter sido tirado dos aposentados, saindo, agora, dos cofres públicos. Na prática, a sociedade (contribuinte) é quem vai pagar pelo crime.

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Somam-se a esse escândalo outros tantos já conhecidos, além da farra dos cartões corporativos da Presidência, cujos gastos ultrapassam R$ 150 milhões sem transparência mínima; as viagens internacionais de Lula, com comitivas inchadas e diárias milionárias, gastando mais do que em investimentos internos estratégicos. A cereja do bolo veio com o relatório do TCU, que apontou irregularidades no uso de verbas secretas da União para finalidades obscuras.

A tentativa de se colocar como bastião da moralidade, diante de um governo cercado por escândalos, é mais do que incoerente: é cínica.

Por falar em Congresso, o que se vê é um Parlamento acuado, refém de interesses e de emendas. A função fiscalizadora praticamente desapareceu. A Comissão de Fiscalização e Controle se converteu em balcão de negócios. Quando parlamentares mais independentes tentam abrir CPIs ou convocar ministros para explicar gastos, são abafados por lideranças cooptadas ou por acordos que blindam os erros do Executivo.

Lula diz que “defende a democracia”, mas criminaliza a oposição e deslegitima todo discurso que o contradiz. A democracia que defende é aquela que o consagra e o protege, mesmo que isso custe a liberdade dos demais. A tentativa de se colocar como bastião da moralidade, diante de um governo cercado por escândalos, é mais do que incoerente: é cínica.

Quem, afinal, está traindo a pátria? O cidadão que protesta contra a corrupção e a opressão, ou o governante que mente em rede nacional, distorce os fatos, tenta desviar a atenção, e defende a perpetuação de um sistema falido?

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A resposta está nas ruas, na economia em frangalhos, nos dados estatísticos, nas pesquisas de opinião e no próprio sentimento de frustração de um povo que já não reconhece a pseudo-liderança que o, teoricamente, governa. A soberania nacional, que Lula diz defender, não está em tratados com ditaduras, nem em alianças ideológicas com regimes falidos, bem menos no entreguismo do território nacional.

Lula da Silva ocupou a cadeia nacional de rádio e televisão para proferir um discurso que, mais do que esclarecer ou acalmar os ânimos da população, escancarou a tentativa desesperada de transferir a responsabilidade pelo colapso de seu governo.

Ele fala em “união nacional” e “defesa da democracia”, mas o que se vê é a tentativa de silenciar qualquer voz dissonante. Governar não é discursar. Quem trai a pátria não é o cidadão que protesta nas ruas, ou o que busca justiça verdadeira – mesmo no exterior-, é quem, do alto do poder, distorce os fatos, saqueia o Estado, coopta as instituições e entrega o país ao clientelismo ideológico.

A soberania nacional não está em reuniões de cúpula, nem em narrativas progressistas de ocasião. Ela vive na alma do povo que trabalha e paga impostos para sustentar um Estado perdulário e, se a pátria parece hoje traída, não é pelos que resistem, mas pelos que fingem governa-la.

*Jornalista profissional diplomado, editor do portal Do Plenário, escritor, psicanalista, cientista político ocasional autoproclamado, analista sensorial, enófilo, adesguiano, consultor de conjunturas e cidadão brasileiro protegido (ou não) pela Constituição Brasileira, observador crítico da linguagem e da liberdade

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