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quinta-feira, abril 30, 2026

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Taguatinga celebra 67 anos com obras inacabadas e promessas quebradas

Nesta quinta-feira (5), Taguatinga completa 67 anos de existência. No entanto, para boa parte dos moradores, a data tem pouco a ser comemorada. Em vez de celebração, o aniversário da região administrativa escancara velhos problemas que parecem se renovar a cada governo: obras paradas, gastos milionários sem explicação e uma gestão pública marcada pela falta de transparência e de respeito com o contribuinte.

Na avenida Hélio Prates, uma das principais vias da cidade, as promessas de modernização e fluidez no trânsito viraram um labirinto de estruturas incompletas, desvios improvisados e frustração durante meses. Foram milhões empenhados em um projeto que, na prática, mais atrapalha do que ajuda. Há ampliações que levam do nada a lugar algum, faixas exclusivas que nunca foram utilizadas como previsto e calçadas que já mostram sinais de desgaste mesmo sem terem sido oficialmente entregues. O mais estarrecedor: até hoje, a Secretaria de Obras do Distrito Federal não esclareceu o custo final da intervenção, tampouco apresentou justificativas técnicas ou um cronograma realista de conclusão.

Nas principais vias, os buracos se multiplicam e os remendos parecem feitos com minguau. O asfalto se desmancha com facilidade, as irregularidades no piso oferecem risco aos motoristas, e o dinheiro do contribuinte brasiliense escoa pelas sarjetas.

Outro símbolo do descaso é o Parque Ecológico do Cortado. A revitalização do espaço foi anunciada em diferentes gestões, com promessas de entrega em prazos que se desmancham como castelo de areia. De interdição em interdição, o parque se tornou uma obra-fantasma. A comunidade que depende do local para lazer e práticas esportivas agora convive com tapumes, entulhos e uma eterna sensação de abandono.

Na avenida que liga o Taguacenter ao Batalhão da Polícia Militar, em Taguatinga (DF), foram plantadas dezenas de palmeiras imperiais como parte de um projeto paisagístico recente. O o alinhamento delas segue o canteiro central da via, criando uma espécie de “corredor verde” simétrico. A proposta seria embelezar a região.

Esse tipo de intervenção urbana tem sido alvo de críticas por moradores e especialistas. O principal argumento é o alto custo envolvido: cada muda de palmeira imperial pode custar de R$ 1.000 a R$ 3.000, sem contar transporte, plantio e manutenção. Em uma região que carece de serviços básicos, como manutenção de calçadas, iluminação pública ou segurança, a escolha por esse tipo de investimento parece deslocada da realidade da população.

A pergunta “beneficiou quem?” é pertinente. O projeto gerou lucro para empresas contratadas para fornecer as mudas e executar o paisagismo, geralmente por meio de contratos firmados sem ampla divulgação. Também pode ter beneficiado politicamente quem assinou a obra, criando um símbolo visual “de impacto” para futuras campanhas eleitorais, ainda que sem função prática para os moradores.

As perguntas se acumulam: quanto foi, de fato, gasto em cada uma dessas obras? Por que os prazos nunca são cumpridos? Quem fiscaliza e quem é responsabilizado pelo desperdício de recursos públicos? As respostas, quando vêm, são evasivas, técnicas demais ou simplesmente não vêm.

Enquanto isso, os moradores de Taguatinga enfrentam diariamente o caos urbano promovido pela má gestão. Trânsito travado, acessibilidade comprometida e espaços públicos degradados fazem parte do cotidiano de uma população que, apesar da negligência, continua pagando seus impostos religiosamente.

Taguatinga não merece ser celebrada apenas no discurso institucional, em solenidades recheadas de retórica vazia. A cidade precisa ser respeitada em sua infraestrutura, em sua história e principalmente no trato com o dinheiro público. O aniversário que deveria ser de orgulho torna-se um lembrete gritante da inércia administrativa e do divórcio entre o poder público e a população que deveria ser sua prioridade.

Até quando? É a pergunta que ecoa nas ruas esburacadas e nas obras paradas de uma cidade que pede socorro, e transparência.

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