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segunda-feira, abril 13, 2026

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Rodovias matam aos milhares

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Segundo o balanço mais recente da Polícia Rodoviária Federal (PRF), em 2025 as rodovias federais registraram uma média diária de 199 acidentes e 16 mortes. Em 2024, foram 56.117 sinistros e 4.995 fatalidades nas BRs. Não se trata de estatística abstrata. São quase cinco mil famílias que perderam alguém em um único ano, em vias que deveriam garantir o direito básico de ir e vir com segurança.

Enquanto o governo celebra o carnaval com verbas generosas, patrocínios oficiais e estruturas cada vez mais custosas, o país real segue trafegando por rodovias que se tornaram um retrato cruel da inversão de prioridades. Os números não são retórica de oposição, mas dados concretos divulgados pela Polícia Rodoviária Federal e pela Confederação Nacional do Transporte, que revelam um cenário crítico nas estradas federais brasileiras.

A precariedade estrutural ajuda a explicar parte dessa tragédia. A Pesquisa CNT de Rodovias de 2025 classificou 62,1% da malha analisada como regular, ruim ou péssima no estado geral, considerando pavimento, sinalização e geometria da via. Em termos práticos, isso significa buracos, ausência de acostamento, faixas apagadas, curvas mal projetadas e sinalização insuficiente. O relatório Radar CNT do Transporte Pontos Críticos 2025 identificou 2.146 pontos críticos espalhados pelo país, trechos onde a infraestrutura deficiente potencializa o risco de colisões, saídas de pista e capotagens.

Enquanto motoristas enfrentam crateras e sinalizações invisíveis, o governo destina recursos significativos para festas, patrocínios supostamente culturais e eventos de grande porte, incluindo o carnaval, que já conta com forte apoio privado e receitas próprias. Paralelamente, crescem as despesas sob sigilo, como viagens internacionais com comitivas numerosas, cujos custos detalhados nem sempre são plenamente transparentes ao contribuinte.

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Em um país onde mais da metade das rodovias avaliadas apresenta problemas estruturais e onde quase cinco mil pessoas morrem por ano em acidentes nas BRs, é razoável que investimentos estruturais sigam em ritmo lento enquanto outras rubricas avançam com rapidez e pouca publicidade detalhada?

A deterioração das estradas não afeta apenas a segurança. Ela encarece o transporte de cargas, eleva o custo do frete, impacta o preço dos alimentos e reduz a competitividade do setor produtivo. Cada buraco é um prejuízo adicional ao caminhoneiro, ao agricultor e, por consequência, ao consumidor final. A infraestrutura viária é uma engrenagem central da economia, não um luxo secundário.

O contraste entre o asfalto esburacado e o brilho dos palcos oficiais evidencia uma escolha política. Governar é definir prioridades. Quando as rodovias federais registram quase duzentos acidentes por dia e milhares de pontos críticos são oficialmente mapeados, mas a transparência sobre certas despesas continua limitada, a sociedade tem o direito de cobrar explicações claras e resultados concretos.

No fim, a conta é paga pelo contribuinte. E, nas estradas, muitas vezes, paga-se também com a própria vida.

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