No domingo (4) os brasileiros irão às urnas para escolher seus representantes. As decisões tomadas nas eleições afetam toda a sociedade, inclusive crianças e adolescentes. Segundo o Censo 2022 do IBGE, o Brasil tinha 40,1 milhões de pessoas de até 14 anos, equivalentes a 19,8% da população. Embora a maior parte ainda não vote, esse público já convive com os efeitos das escolhas políticas e com os discursos que circulam na família, na escola, na televisão, nas redes sociais e nas ruas.
Para Clemilson Graciano da Silva, Especialista de Proteção Integral e Solidariedade da Província Marista Brasil Centro-Norte – PMBCN, o período eleitoral pode ser aproveitado como oportunidade de educação para a cidadania. “É importante explicar que democracia vai além do voto. Ela envolve participação, direitos, responsabilidades, respeito às diferenças e construção coletiva. Praticar a escuta das crianças e dos adolescentes nos permite acompanhar, desde cedo, a formação de noções sobre cidadania que eles levarão para a vida”, afirma.
Cidadãos no presente
Falar em educação democrática também exige reconhecer crianças e adolescentes como sujeitos de direitos no presente, e não apenas como “eleitores do futuro”. O Estatuto da Criança e do Adolescente assegura, entre outros aspectos, liberdade de opinião e expressão e participação na vida familiar e comunitária. Na adolescência, essa aproximação ganha outra dimensão: no Brasil, o voto é facultativo a partir dos 16 anos.
“Eles precisam encontrar, na família, na escola e na comunidade, espaços seguros para perguntar, expressar suas opiniões, discordar e aprender a ouvir quem pensa diferente”, destaca Clemilson. Essa participação deve respeitar a idade e o desenvolvimento de cada um, sem transferir às crianças responsabilidades que pertencem aos adultos nem transformá-las em porta-vozes de preferências político-partidárias.
Explicando o mundo
Nas infâncias, conceitos sobre sociedade e política são compreendidos com mais facilidade quando partem de experiências próximas. A escolha de representantes de turma, as regras da escola, uma assembleia ou até a atuação de um síndico podem ajudar a explicar ideias como representação, responsabilidade, participação e decisão coletiva.
“Educar para a democracia não é ensinar em quem votar. É oferecer condições para que crianças e adolescentes aprendam a formular perguntas, buscar informações, reconhecer direitos, dialogar e construir suas próprias opiniões com autonomia e responsabilidade”, reforça o especialista. Assembleias de turma, grêmios estudantis, construção coletiva de regras e debates sobre problemas da escola ou da comunidade são exemplos de práticas que permitem vivenciar princípios democráticos no cotidiano.
Combate à desinformação
A educação digital também faz parte dessa formação. Segundo a TIC Kids Online Brasil 2025, 64% dos adolescentes de 15 a 17 anos usuários de Internet afirmaram ter lido ou assistido a notícias online. O índice foi de 50% de 13 e 14 anos, 39% de 11 e 12 anos e 31% de nove e 10 anos.
Diante dessa exposição, famílias e escolas podem ensinar práticas simples de verificação: identificar a fonte, observar a data, comparar veículos, distinguir fatos de opiniões e desconfiar de conteúdos que apelam apenas para medo, raiva ou urgência. “Quanto mais crianças e adolescentes aprendem a investigar o que recebem, comparar fontes e refletir antes de compartilhar, maiores são as condições para reconhecer informações enganosas e participar de forma consciente dos ambientes digitais”, comenta Clemilson.
Ambiente plural
A escola é um dos primeiros espaços públicos de convivência da criança e pode contribuir para que ela aprenda a lidar com diferenças de opinião sem violência, humilhação ou intolerância. Debates mediados, projetos de educação midiática, estudo das instituições democráticas, assembleias escolares e grêmios podem estimular pensamento crítico e participação sem direcionar preferências eleitorais.
“Ensinar a conviver com a diversidade é fundamental para a vida em sociedade. Quando reconhecemos a pluralidade, criamos condições para que todos possam pertencer, participar, expressar suas opiniões e exercer seus direitos com respeito aos direitos dos demais”, afirma Clemilson.
Para conversar com crianças e adolescentes, os adultos podem começar por perguntas simples: “O que você já ouviu sobre as eleições?”, “Como podemos saber se uma notícia é verdadeira?”, “Por que as pessoas escolhem representantes?” e “É possível respeitar alguém que pensa diferente de nós?”.
Assessoria de imprensa Maristas no Brasil |
|



