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domingo, abril 19, 2026

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Caso Tagliaferro: desmoralização da imprensa e da justiça

Luciano Lima e Sandro Gianelli 

Você sabia que quase 20% dos bacharéis em atividade no País são analfabetos funcionais?

O silêncio da imprensa e da Justiça diante das graves denúncias documentadas feitas por Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, causa perplexidade e expõe um problema cada vez mais evidente: a seletividade no tratamento da informação e no andamento processual de casos de grande repercussão nacional, como os relacionados ao 8 de janeiro de 2023.

Desde que deixou o Brasil e passou a viver na Itália, em condição que ele próprio descreve como de “exílio”, Tagliaferro tem apontado supostas fraudes e falhas processuais que, segundo afirma, alteraram o rumo das investigações sobre os ataques às sedes dos Três Poderes. Apesar da gravidade dos relatos, que vieram acompanhados de documentos, até agora nem a Justiça brasileira nem a maior parte da imprensa se debruçaram sobre o conteúdo das denúncias. A postura predominante tem sido de ignorar os fatos, restringindo-se a noticiar a possibilidade de punição ao ex-assessor.

No Brasil, de cada três pessoas, uma é analfabeta funcional, incapaz de ler e entender o que lê, de compreender instruções e se comunicar adequadamente. Você também não sabia?

Essa omissão abre espaço para questionamentos legítimos: por que as acusações não foram desmentidas de forma categórica? Onde estão as apurações independentes sobre os documentos apresentados? Até aqui, a prioridade parece ter sido enquadrar Tagliaferro como réu em potencial, em vez de verificar com rigor as informações que trouxe a público.

O caso reforça a percepção de que a Justiça brasileira adota pesos e medidas diferentes, dependendo de quem esteja no centro das acusações. A recusa em enfrentar as denúncias documentadas compromete a credibilidade das instituições e contribui para uma sensação generalizada de impunidade seletiva. Se o silêncio prevalecer, será difícil sustentar o discurso de imparcialidade e de defesa da democracia.

Ao mesmo tempo, a imprensa, que deveria cumprir seu papel fiscalizador, tem se mantido em grande parte omissa. A ausência de investigação jornalística sobre as denúncias de Tagliaferro coloca em xeque o compromisso com o interesse público. Em vez de aprofundar os fatos, muitos veículos têm optado por reproduzir a versão oficial, deixando de lado a pluralidade de vozes e o direito da sociedade de conhecer todos os lados de uma história tão sensível.

Você sabia que tudo isso é resultado de um projeto ideológico de longo prazo, e que está dando certo?

O silêncio não apaga a gravidade das revelações. Ao contrário, amplia as desconfianças e fortalece a percepção de que algo está sendo encoberto. A cada dia que passa sem resposta efetiva, cresce a descrença da população tanto na Justiça quanto na imprensa. O depoimento de Eduardo Tagliaferro, ainda não desmentido, continua ecoando — e cobrando explicações.

Enquanto isso, resta à sociedade aguardar os próximos capítulos dessa história, que, se não enfrentada de frente, pode se tornar mais um marco da desmoralização das instituições brasileiras.

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