
O Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, voltou a cortar sua taxa básica de juros e estabeleceu o novo intervalo de 3,5% a 3,75% ao ano, o menor patamar desde 2022. O movimento marca a terceira redução consecutiva promovida pelo Fed em 2025.
De acordo com dados recentes do Bureau of Labor Statistics, a taxa de desemprego norte-americana permanece em torno de 4,4%, um nível considerado baixo pelos padrões históricos do país. Esse indicador, medido com base em parâmetros amplos e transparentes (bem diferentes do Brasil), inclui trabalhadores que efetivamente buscam emprego e monitora com precisão a evolução da participação laboral. O panorama econômico segue relativamente firme: o PIB dos EUA deve crescer cerca de 2,3% em 2026, segundo projeções atualizadas do próprio Fed.
Enquanto isso, o Brasil vive cenário oposto. O Banco Central decidiu manter a Selic em 15% ao ano, um dos maiores juros reais do mundo. É a quarta reunião seguida em que o Comitê de Política Monetária opta por segurar a taxa no mesmo nível, demonstrando preocupação com expectativas inflacionárias e com a fragilidade fiscal. A manutenção dos juros altos tem impacto direto sobre crédito, consumo e investimentos, mantendo o crescimento econômico em ritmo modesto.

Os indicadores nacionais ajudam a explicar a postura conservadora. A inflação acumulada em 12 meses gira em torno de 4,4%, dentro da meta, mas pressionada por preços administrados e volatilidade cambial. Já a taxa de desemprego oficial, de aproximadamente 5,4%, é a menor da série histórica do IBGE. Contudo, especialistas destacam que parte dessa melhora decorre da ampliação da informalidade, que inclui trabalhadores sem carteira assinada e sem proteção social, o que distorce a leitura sobre a real qualidade do mercado de trabalho.
A comparação entre os dois países evidencia diferenças estruturais. Nos Estados Unidos, juros mais baixos convivem com baixa desocupação, regras fiscais claras e economia robusta, permitindo ao Fed calibrar a política monetária com foco em estabilidade e emprego. Já no Brasil, o BC mantém estratégia mais dura para ancorar expectativas e preservar a credibilidade diante de um ambiente marcado por incertezas fiscais, pressões inflacionárias e mercado de trabalho heterogêneo.
O contraste reforça que, apesar dos desafios compartilhados por todas as economias — inflação global, desaceleração do comércio internacional e tensões geopolíticas — cada país responde conforme suas fragilidades internas. Enquanto os EUA ajustam os juros para sustentar a atividade, o Brasil ainda tenta equilibrar contas públicas, inflação e crescimento num cenário que exige cautela redobrada.


