“Devo, não nego; pago quando puder.” O antigo dito popular parece descrever, cada vez mais, a situação financeira de milhões de brasileiros. O país alcançou a marca histórica de 83,3 milhões de pessoas inadimplentes, segundo o Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas da Serasa. É o maior número já registrado pela série histórica do levantamento. Um recorde!
O contingente de consumidores com o CPF negativado representa mais da metade, 50,8%, da população adulta brasileira. Em outras palavras, mais de um em cada dois adultos convive com restrições de crédito.
São mais de 342 milhões de débitos em aberto. A soma das dívidas ultrapassa R$ 568 bilhões, enquanto o valor médio devido por consumidor chega a R$ 6.814,39.
O setor financeiro continua sendo o principal responsável pelas negativações. Bancos e cartões de crédito concentram 27,5% das dívidas, seguidos pelas contas de serviços essenciais — como água, energia elétrica e gás —, que representam 21% do total. Ou seja, o brasileiro não consegue mais nem pagar as contas de água e luz.
Os dados evidenciam o avanço do endividamento das famílias brasileiras e consolidam o maior nível de inadimplência desde o início do monitoramento realizado pelo Mapa da Inadimplência e Negociação de Dívidas.
O contraste entre esses indicadores e o discurso oficial de melhora da economia é evidente. Embora os indicadores macroeconômicos possam apontar estabilidade ou crescimento em determinados setores, a realidade enfrentada por milhões de famílias revela um quadro distinto: renda insuficiente, orçamento comprometido e dificuldade crescente para honrar compromissos financeiros. O recorde de inadimplência sugere que a percepção de melhora econômica ainda não se traduz, para grande parcela da população, em alívio efetivo no custo de vida e na capacidade de pagamento.
Mais que uma crise econômica, é uma crise dissociativa da realidade.



