Até a inflação oficial de setembro, aquela apurada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), e divulgada pelo governo, disparou fechando o mês em 0,82%. É o maior patamar desde março (0,88%). A inflação real, aquela enfrentada pelo cidadão comum, pode ser bem maior, já que para o cálculo da oficial são adicionados preços de produtos que não fazem parte da vida cotidiana da maioria da população.
Com o índice de setembro, a inflação passar a acumular 4,58% em 12 meses, acima da meta do governo. Os dados foram divulgados na sexta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A meta de inflação estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) é 3%.
Desde o início de 2025, o período de avaliação da meta é referente aos 12 meses imediatamente passados e não apenas o alcançado no fim do ano (dezembro). A meta é considerada descumprida se a inflação estourar o intervalo de tolerância por seis meses seguidos.
Acima da expectativa
O IPCA do mês passado veio acima da estimativa do mercado. O relatório do boletim Focus da segunda-feira (5), sondagem do Banco Central (BC) com agentes do mercado financeiro, projeta que a inflação de setembro ficaria em 0,60%. Para o fim de 2026, o mercado sinaliza 5,01%.
Habitação, transportes e alimentos foram os grupos de produtos e serviços apurados pelo IBGE que mais empurraram o IPCA para cima:
- Alimentação e bebidas: 0,83% (impacto de 0,18 p.p.)
- Habitação: 2,31% (0,35 p.p.)
- Artigos de residência: 0,27% (0,01 p.p.)
- Vestuário: 0,71% (0,03 p.p.)
- Transportes: 0,89% (0,18 p.p.)
- Saúde e cuidados pessoais: 0,08% (0,01 p.p.)
- Despesas pessoais: 0,26% (0,03 p.p.)
- Educação: 0,04% (0,00 p.p.)
- Comunicação: 0,64% (0,03 p.p.)
A habitação foi o grupo que mais pressionou o IPCA por causa do custo da energia elétrica, que avançou 7,98% em setembro. Dessa forma, a conta de luz foi o preço que mais puxou a inflação para cima no mês passado, com impacto de 0,32 ponto percentual.
O IBGE informou ainda que houve reajuste contratual na conta de luz de Belém, São Luís e Vitória. Como o IPCA é um índice nacional, movimentos em determinadas regiões metropolitanas influenciam a média do índice.
Transportes
O grupo de transportes (+0,89%) foi pressionado pelas passagens aéreas, que subiram 9,66%. Além disso, os combustíveis ficaram 1,41% mais caros. Houve elevação nos preços da gasolina (1,21%), etanol (3,16%), óleo diesel (1,69%) e do gás veicular (0,10%).
Alimentos
O grupo alimentação e bebidas subiu em setembro. A alimentação no domicílio ficou 0,96% mais cara.
Veja os principais impactos no grupo alimentação:
- tomate: 37,76%
- batata-inglesa: 24,07%
- cebola: 10,14%
- arroz: 4,56%
- carnes: 0,63%
Monitoramento
O índice de difusão indica que 55% dos 377 produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram aumento de preço. No mês passado, estava em 54%.
O IBGE desagrega o IPCA em dois grupos, o de serviços, que traz os preços que sofrem mais influência do aquecimento ou esfriamento da economia – ou seja, mais suscetíveis à taxa Selic – e o de preços monitorados, que costumam ser controlados por contratos, e os combustíveis.
Em setembro, o grupo serviços subiu 0,61% e acumula 5,98% em 12 meses. Já o agrupamento de monitorados saltou 1,59% e soma 4,13% ao longo de um ano.
O IPCA apura o custo de vida para famílias com rendimentos de um a 40 salários mínimos. A coleta de preços é feita em dez regiões metropolitanas – Belém, Fortaleza, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Vitória, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre – além de Brasília e nas capitais Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís e Aracaju.


