
Os gastos do governo federal com passagens aéreas, diárias e despesas de locomoção voltaram ao centro do debate. Dados do Portal da Transparência indicam que, em menos de um ano, as despesas da União com viagens oficiais somam valores bilionários, reunindo custos com transporte, hospedagem, alimentação e deslocamentos de servidores, autoridades e integrantes da administração direta e indireta.
Dados públicos que apontam para despesas de cerca de R$ 1,8 bilhão em passagens e diárias pelo governo federal em 11 meses de 2025. Só no primeiro semestre do ano, os gastos da União com diárias e passagens somaram cerca de R$ 1,7 bilhão, o maior valor para esse período desde 2014.
O volume de recursos empregados chama atenção e levanta questionamentos legítimos sobre prioridade, necessidade e transparência. O governo passou a operar como uma espécie de “agência de viagens pública”, com a diferença essencial de que não gera retorno econômico, apenas consome recursos provenientes dos impostos pagos pela população.
O dinheiro gasto em passagens e diárias não surge do nada. Ele é arrecadado por meio de uma carga tributária elevada, que pesa especialmente sobre o consumo e sobre a renda dos mais pobres. Cada real utilizado em deslocamentos de necessidade duvidosa é um real a menos para áreas como saúde, educação, segurança, saneamento básico e infraestrutura — setores nos quais o próprio governo reconhece haver carências históricas.
Outro ponto crítico é a baixa clareza sobre os benefícios concretos dessas viagens. Em muitos casos, os relatórios públicos informam apenas destino, período e valor, sem detalhar de forma objetiva quais resultados foram obtidos para a sociedade. Reuniões protocolares, eventos internacionais de impacto limitado ou agendas políticas internas frequentemente justificam despesas elevadas, sem que haja uma avaliação transparente de custo-benefício.

A falta de critérios rigorosos de contenção reforça a percepção de desperdício. Em um país onde hospitais enfrentam filas, estradas se deterioram e obras públicas se arrastam por falta de recursos, o crescimento acelerado dos gastos com viagens oficiais transmite à população a sensação de desalinhamento entre discurso e prática. Fala-se em responsabilidade fiscal, mas se tolera um padrão de despesas administrativas que pouco contribui para melhorar a vida do cidadão comum.
O princípio básico da administração pública é simples: os recursos arrecadados devem retornar à sociedade na forma de serviços essenciais eficientes e investimentos estruturantes, não ser consumidos em deslocamentos frequentes, caros e pouco explicados.
Falta ao governo federal uma política efetiva de racionalização de despesas, capaz de demonstrar que o dinheiro dos impostos está sendo empregado em benefício direto da população, e não dissipado em uma engrenagem administrativa que viaja muito, custa caro e entrega nada.


