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sábado, janeiro 3, 2026

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Brasilienses pagam milhões por festa que é “gratuita”

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O Governo de Brasília-Distrito Federal (GDF) prepara para a virada de ano uma das celebrações mais caras da sua história recente, a Celebra 2026, evento oficial de Réveillon que ocorre de 31 de dezembro a 2 de janeiro na Esplanada dos Ministérios e na Prainha. É a velha receita do “pão e circo” e, ao contrário do discurso oficial de “gratuidade”, os custos recairão integralmente sobre o bolso do contribuinte; e são milionários.

Os valores já tornados públicos pela Secretaria de Cultura de Brasília-DF confirmam o que muitos moradores comentam nas redes sociais e nos corredores:

Os cachês divulgados pela Secretaria de Cultura mostram a dimensão desse gasto:

  • Lauana Prado — R$ 1,2 milhão (show da virada).
  • Ana Castela — R$ 1,2 milhão.
  • Carlinhos Brown — R$ 750 mil.
  • Calcinha Preta — R$ 690 mil.
  • Murilo Huff — R$ 650 mil.
  • Vários outros artistas somam mais de R$ 1 milhão adicionais em cachês menores.

 “Gratuito”?

O governo divulga o evento como de “acesso gratuito”. Essa expressão é um truque retórico: nada no evento é de graça para quem paga impostos. Todos os custos como cachês artísticos, infraestrutura, estrutura de som e luz, segurança, limpeza urbana, recolhimento de lixo e horas extras de servidores públicos sairão dos cofres públicos, ou mais precisamente, do bolso do contribuinte.

Afinal, governo nenhum tem dinheiro. O dinheiro é do povo que o sustenta.

Mesmo programas oficiais que estimam retorno econômico (como atração de turistas e impacto em serviços locais) não mudam o fato de que o gasto inicial é público e certo, independentemente de haver ou não visitação. Relatórios do próprio plano de trabalho do evento apontam projeções de impacto econômico, mas são meras especulações de retorno, e são pífios.

Enquanto milhões são anunciados para artistas e festas, a saúde continua deficiente em muitas regiões administrativas; os postos públicos funcionam com filas e falta de médicos em várias unidades; escolas têm deficiência de infraestrutura e professores em número insuficiente; e as periferias de Brasília padecem com ruas esburacadas e falta de manutenção urbana; problemas que não têm solução simples nem solução rápida, mas que são atribuídos à “escassez de recursos no orçamento”. Como assim, escassez?

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O Orçamento de Brasília para 2025 foi de cerca de R$ 66,6 bilhões, com grandes fatias previstas para segurança pública (R$ 11,4 bilhões), saúde (R$ 8,1 bilhões) e educação (R$ 5,4 bilhões). Ainda assim, gestores e parlamentares criticam que investimentos essenciais continuam aquém do necessário mesmo com receitas robustas e, no caso de 2025, um superávit de R$ 1,48 bilhão registrado nas contas públicas.

A população quer saber:

Se Brasília tem orçamento robusto, por que priorizar milhões em festa?

Por que não canalizar recursos para infraestrutura urbana e serviços públicos deficitários?

Como justificar milhões em cachês artísticos quando bairros inteiros reclamam de falta de saneamento básico e manutenção viária?

Especialistas em finanças públicas lembram que festas populares de final de ano podem até gerar algum retorno econômico (pela circulação de turistas e consumo), mas esse retorno nunca é garantido nem tem impacto direto imediato na vida diária dos moradores que dependem de saúde, educação e segurança pública eficiente.

A “festividade gratuita” do governo é mais uma peça de marketing do que um evento que verdadeiramente beneficia a maioria dos moradores. Tudo tem preço e os brasilienses já estão pagando por ele: com impostos mais altos, serviços públicos insuficientes e um governo que parece priorizar espetáculo sobre solução de problemas reais da cidade.

É a velha receita do pão e circo.

Desfile de milionários

Os cachês divulgados pela Secretaria de Cultura mostram a dimensão desse gasto. Somente os dois nomes principais perfazem R$ 2,4 milhões que saem diretamente dos cofres públicos, ou seja, do bolso do cidadão brasiliense.

Esses contratos foram feitos sem licitação.

Desperdício

Para a maioria dos brasilienses, R$ 2,4 milhões virou uma nota simbólica de desperdício quando comparada com o que falta na cidade. Exemplos hipotéticos de comparação:

Infraestrutura viária:

Manter e recuperar ruas e avenidas da periferia, que estão esburacadas e sem manutenção adequada há anos. Em muitas cidades brasileiras, programas municipais de tapa-buracos gastam de R$ 100 mil a R$ 400 mil em um lote de várias quadras.

Com R$ 2,4 milhões, seria possível recuperar dezenas de ruas e avenidas degradadas em regiões administrativas periféricas, se essa fosse a prioridade.

Educação e saúde:

Uma unidade básica de saúde (UBS) de porte médio custa, geralmente, de R$ 1,5 milhão a R$ 3 milhões para construção e equipamentos iniciais (estimativas de mercado de saúde pública).

Isso significa que o cachê de um único artista poderia financiar quase uma UBS inteira — uma que hoje falta a muitas comunidades.

Colocando esses números lado a lado, fica claro que o custo de dois shows principais do Réveillon equivale ao investimento em serviços reais, não festivos.

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