Marcos Machado
O profeta Isaías descreve um cenário que se tornou a realidade cotidiana do Brasil: “A justiça é posta de lado, e o direito é afastado. A verdade anda tropeçando no tribunal, e a honestidade não consegue chegar até lá. A verdade desapareceu, e os que procuram ser honestos são perseguidos” (Isaías 59:14-15).
O que bem define nossa época é a inversão de valores, a criminalização da virtude e a exaltação do crime. A justiça, hoje, abdicou da verdade e se baseia em conveniências políticas e interesses ideológicos. O direito não é primordial, mas a narrativa mais conveniente ao sistema. A honestidade, em um mundo dominado pela mentira institucionalizada, se tornou um crime imperdoável.
A omissão das lideranças, seja por medo ou por corrupção moral, é um crime contra Deus e contra a própria civilização
Diante do caos, o que fazem nossas lideranças religiosas e políticas? A maioria se entregou à covardia, à conivência e ao comodismo. Sacerdotes, que deveriam ser sentinelas da verdade, se transformaram em burocratas eclesiásticos, preocupados mais com sua popularidade do que com a salvação das almas. Políticos, que deveriam defender o povo contra a tirania, se venderam por favores e esquemas.
A omissão das lideranças, seja por medo ou por corrupção moral, é um crime contra Deus e contra a própria civilização. Quando a verdade desaparece, e os que tentam se manter honestos são perseguidos, é sinal de que a sociedade está à beira do colapso. Se aqueles que deveriam defender a justiça fogem de sua responsabilidade, então não resta alternativa a não ser a ira divina e a dissolução do próprio tecido social.
Estamos no ponto em que a neutralidade é impossível. Ou nos levantamos, ou seremos cúmplices da destruição. As lideranças religiosas deveriam retomar sua missão profética, pregando a verdade sem medo das represálias. Os políticos que ainda preservam um resquício de dignidade deveriam abandonar a conivência e assumir o combate contra o sistema de mentiras.
Caso contrário, a própria história os julgará como traidores e a justiça de Deus, esta, sim, infalível, recairá sobre os que se omitem quando deveriam lutar.
Cada qual escolha de que lado da história quer estar: com a verdade ou com os que a massacram, porque o tempo da covardia está chegando ao fim.
Jornalista profissional diplomado, editor do portal Do Plenário, escritor, psicanalista, analista sensorial, adesguiano, consultor de conjunturas e cidadão brasileiro protegido (ou não) pela Constituição Brasileira