Produtores rurais, técnicos e especialistas se reúnem, em 14 de outubro, em Brasília, para discutir os desafios e as oportunidades da cafeicultura na capital e na Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno (RIDE). O II Encontro da Cafeicultura do Distrito Federal e RIDE vai acontecer no SebraeLab e tem como foco estratégias para aumentar a qualidade do café, agregar valor à produção e ampliar a renda nas propriedades rurais.
Realizado pela Emater-DF e pela Embrapa Café, o evento conta com apoio do Sebrae e terá como tema “Pequenas Áreas, Grandes Valores: Caminhos para Produzir Café de Qualidade e Gerar Renda”. As inscrições são gratuitas.
Ao longo do dia, serão discutidas questões como o cenário atual da cafeicultura, práticas para produzir melhor, estratégias para o fortalecimento da cafeicultura para os próximos anos e a participação de mulheres e de jovens na atividade. O encontro também terá espaço para troca de experiências entre produtores e será encerrado com uma degustação de cafés especiais (espécies arábica e canéfora — conilon e robusta).
Cenário
Segundo dados da Emater-DF, em 2025 a cafeicultura em Brasília ocupou cerca de 341 hectares, com produção anual estimada em 830 toneladas. Para Adriana Nascimento, engenheira-agrônoma da Emater-DF responsável pela cadeia produtiva na empresa, o avanço no conhecimento sobre a cultura permite orientar com mais precisão as ações voltadas ao setor.
“A principal mudança do primeiro encontro até este segundo é a maior maturidade ao olhar para a cadeia do café, focando em produtividade, cafés especiais e diferenciação, em vez de quantidade. Avançamos no diagnóstico da nossa cafeicultura e passamos a enxergá-la de forma integrada, da produção e pós-colheita até a qualidade, torrefação e comercialização”, afirma.
O Diagnóstico da Cadeia Produtiva do Café no Distrito Federal, realizado pela Emater-DF em parceria com a Embrapa Café e a Universidade de Brasília (UnB), apontou o potencial climático e produtivo da região, mas também desafios: muitos cafeicultores são iniciantes, faltam capacitação específica e gestão de custos, e persistem gargalos no manejo, na pós-colheita e na comercialização.
O estudo ouviu 134 cafeicultores de outubro de 2024 a março de 2025 e é a primeira etapa prevista em um convênio entre a Embrapa Café e a Emater-DF. O levantamento destacou o papel das mulheres na produção (elas estão presentes em cerca de 75% das áreas de cultivo) e a necessidade de atrair jovens para a atividade, em uma região onde a idade dos produtores torna a sucessão um tema urgente. Esses desafios e oportunidades também estarão em debate no encontro.
Para Renata Silva, chefe-adjunta de Inovação e Negócios da Embrapa Café, fortalecer a cafeicultura na região exige combinar eficiência, qualidade, renda e renovação geracional. “As mulheres já são protagonistas dessa atividade na região e precisam ter acesso à capacitação e oportunidades. Ao mesmo tempo, é preciso mostrar aos jovens que o café pode ser um negócio inovador, capaz de gerar renda e abrir novas perspectivas no campo e na cidade”, destaca.
Durante o encontro, será formalizada a criação do Subcapítulo Planalto Central da IWCA Brasil, que reúne mulheres dos diferentes elos da cadeia do café em Brasília, em Goiás e nos municípios que integram a RIDE-DF. “A região vive um período de desenvolvimento da cafeicultura e a iniciativa busca ampliar a articulação e uma participação mais organizada das mulheres no setor”, completa Renata.
Café especial
Entre as oportunidades identificadas para aumentar a rentabilidade das propriedades está o fortalecimento do mercado de cafés especiais, segmento no qual aspectos como origem, indicação geográfica, qualidade dos grãos, manejo, processamento e características sensoriais podem agregar valor ao produto.
Outro caminho em discussão é a diversificação das formas de comercialização. A criação de marcas próprias, a venda direta ao consumidor, a identificação de cafés de origem e a integração da produção ao turismo rural podem aproximar produtores e consumidores e aumentar a participação das famílias rurais no valor gerado ao longo da cadeia.


