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sábado, janeiro 3, 2026

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Europa sitiada: cristãos encurralados pelo medo

Marcos Machado

No Brasil, entre três pessoas, uma é analfabeta funcional. Você sabia que o QI do brasileiro está abaixo da média mundial?

O ano de 2025 chega ao fim com um debate cada vez mais incômodo no coração da Europa: até que ponto as tradições cristãs estão sendo sacrificadas em nome da segurança, e até que ponto essa renúncia revela a incapacidade dos Estados europeus de enfrentar uma ameaça conhecida?

Nos últimos meses, festividades natalinas históricas foram canceladas, reduzidas ou profundamente alteradas em diversos países do continente. Mercados de Natal, celebrações públicas e eventos ao ar livre, que por séculos marcaram o calendário cristão europeu, tornaram-se alvos preferenciais de alertas de risco, restrições administrativas e custos de segurança considerados inviáveis.

As justificativas oficiais evitam o debate cultural e religioso. Fala-se em logística, orçamento e prevenção, mas o pano de fundo é inequívoco: o temor permanente de atentados ligados ao terrorismo islâmico.

Canceladas

Na Alemanha, cidades como Overath e Kerpen cancelaram integralmente suas tradicionais feiras de Natal em 2025. Segundo os organizadores, os custos exigidos pelas autoridades para atender aos protocolos antiterrorismo — incluindo barreiras físicas, vigilância privada e reforço policial — tornaram os eventos financeiramente inviáveis.

Situação semelhante foi registrada em outras localidades menores do país, onde mercados natalinos simplesmente deixaram de ocorrer. Sem recursos para garantir segurança máxima, optou-se pelo cancelamento.

Na França, a Prefeitura de Paris cancelou a tradicional celebração pública de Réveillon na Avenida Champs-Élysées, evento que há décadas reúne multidões. A justificativa oficial foi o “risco terrorista elevado”. No lugar da festa de rua, optou-se por uma apresentação multimídia transmitida para que os cidadãos acompanhassem de casa.

Na Áustria, o famoso mercado de Natal de Salzburg foi mantido, mas sob vigilância reforçada, com presença permanente de segurança privada, controle rigoroso de acesso e monitoramento constante.

Você sabia que quase 30% dos empregados das empresas são analfabetos funcionais, incapazes de entender instruções escritas ou escrevê-las?

Em diversas outras cidades europeias, eventos natalinos menores foram restringidos, encurtados ou reorganizados com bloqueios de veículos, revistas de bolsas e policiamento ostensivo; medidas que transformaram celebrações em ambientes de exceção.

História

O temor não é abstrato. Mercados de Natal se tornaram alvos simbólicos de ataques terroristas ao longo da última década.

Em Berlim, em 2016, um caminhão foi lançado contra um mercado natalino, matando 12 pessoas e ferindo dezenas. O ataque foi reivindicado por uma facção extremista islâmica.

Em Strasbourg, em 2018, um homem ligado ao terrorismo islâmico abriu fogo nas proximidades do tradicional mercado de Natal, deixando mortos e feridos.

Esses episódios marcaram definitivamente a política de segurança europeia. Desde então, governos passaram a tratar eventos cristãos de grande concentração como potenciais alvos prioritários.

Autocensura?

Autoridades europeias insistem que não se trata de censura religiosa, mas de proteção à vida. Em nota recente, um representante municipal alemão afirmou que “não é possível organizar eventos de massa sem garantir padrões máximos de segurança, sob pena de irresponsabilidade institucional”.

O problema, segundo analistas, é que a resposta estatal tem se limitado ao recuo, e não ao enfrentamento do problema.

Para o cientista político francês Jean-Marc Delacroix, especialista em segurança interna, “quando o Estado transfere sistematicamente o custo da ameaça para a sociedade civil, o resultado é a erosão do espaço público”. Segundo ele, “o terrorismo atinge seu objetivo quando obriga uma cultura inteira a se esconder”.

Essa avaliação é compartilhada por setores das próprias forças de segurança. Um oficial europeu ouvido sob anonimato resume: “Protegemos tudo cancelando tudo. Isso não é estratégia; é desistência”.

Reconfiguração

O efeito acumulado dessas decisões é claro: símbolos, ritos e celebrações cristãs estão sendo gradualmente empurrados para o espaço privado. O que antes era público, comunitário e visível, agora é doméstico, discreto e vigiado.

Não se trata de uma proibição formal do cristianismo, mas de sua retirada prática do espaço comum, sob pressão direta de uma ameaça religiosa estrangeira que rejeita os valores fundacionais da Europa.

Como observou a filósofa alemã Hannah Weiss em artigo recente: “Quando uma civilização passa a adaptar seus costumes ao medo, e não à sua identidade, ela já começou a perder”.

Sem resposta

Diante desse cenário, algumas questões permanecem sem resposta clara:

  • Em que momento medidas de segurança deixam de ser proteção e passam a ser autocensura religiosa?
  • Até que ponto autoridades estão oferecendo respostas efetivas à ameaça, em vez de apenas recuar?
  • Como equilibrar segurança real com a preservação de tradições que definem a identidade europeia?

A história europeia é pródiga em exemplos de que a passividade diante de ameaças ideológicas e religiosas raramente produz estabilidade duradoura. O recuo contínuo tende apenas a deslocar o problema, nunca a resolvê-lo.

Enquanto decisões são tomadas nos gabinetes, longe das ruas e das praças esvaziadas, uma parcela significativa da população cristã observa, impotente, a contração de seu espaço.

A história, como sempre, será implacável com aqueles que preferem ignorá-la.

*Jornalista profissional diplomado, editor do portal Do Plenário, escritor, psicanalista, cientista político ocasional autoproclamado, analista sensorial, enófilo, adesguiano, consultor de conjunturas e cidadão brasileiro protegido (ou não) pela Constituição Brasileira, observador crítico da linguagem e da liberdade

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