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quarta-feira, maio 29, 2024

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Prefeitura do Rio de Janeiro será disputada à bala, ou righ-tech?

Ray Cunha

O Rio de Janeiro nunca deixou de ser a capital do Brasil; uma das capitais. Brasília é capital de direito, administrativa. O Rio é onde as coisas são decididas. Boa parte dos representantes do establishment tem domicílio lá, a cidade tem mais funcionários federais do que Brasília, várias estatais têm sede no Rio e o município abriga grande efetivo das Forças Armadas, além de que o estado do Rio conta com duas usinas nucleares, indústria naval e centros de pesquisa importantes.

Isso, sem contar com a beleza paradisíaca que é a Baía de Guanabara e, por extensão, o Rio de Janeiro, a propósito, conhecido como Cidade Maravilhosa, a que recebe mais turistas no Hemisfério Sul.

Em contrapartida, é lá que todo chefão da máfia, ou facção, quer morar, para usufruir de uma das cidades mais bonitas, sensuais e cosmopolitas do planeta. De modo que o Rio está tomado pelo crime organizado. Assim, os chefões elegem políticos, formam advogados e lavam dinheiro em grandes empreendimentos. Para isso, controlam imensos currais eleitorais, especialmente nas favelas.

Além da violência estratosférica que assola o Rio, o estado e a cidade vêm sendo pilhados há décadas. Vários governadores cariocas foram presos por corrupção, mas políticos corruptos continuam sendo eleitos. Assim, conhecer a fundo o Rio de Janeiro e saber utilizar tecnologia de ponta, como, por exemplo, o magnata high-tech Elon Musk, que tudo lê, ouve e vê, será crucial para quem quiser se eleger prefeito da vitrine cultural do Brasil.

As eleições para prefeito e vereadores ocorrerão em 6 de outubro, em primeiro turno, e 27 de outubro, em segundo turno. Os candidatos serão definidos pelos partidos de 20 de julho a 5 de agosto, mas já se sabe quem são os pré-candidatos. Os dois mais expressivos são o do presidente Lula (PT), o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PSD), que deverá tentar a reeleição. O candidato do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro (PL) e do governador do estado, Cláudio Castro (PL), é o deputado federal, ex-chefe da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Alexandre Ramagem (PL/RJ).

Eduardo Paes, 53 anos, carioca, é formado em Direito. Nos anos 1990, o então prefeito Cesar Maia o nomeou subprefeito da Zona Oeste do Rio. Em 1996, foi eleito vereador pelo PFL e, dois anos depois, deputado federal, durante dois mandatos consecutivos. Em 2006, tentou o governo do Rio. Perdeu, mas foi prefeito do Rio de 2009 a 2016, pelo MDB, e voltou à prefeitura em 2021, pelo Democratas. Em maio de 2021, foi para o PSD.

Paes conta com eleitorado até agora fiel, e, devido à sua experiência na cidade, conhece-a muito bem. Será difícil tirarem-na dele, mas em política tudo é possível. Até condenado nas três instâncias foi reabilitado e se tornou presidente da República.

Alexandre Ramagem, 52 anos, carioca, delegado da Polícia Federal, diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), de 2019 a 2022, deputado federal. Com a presença do ex-presidente Jair Bolsonaro e do governador Cláudio Castro, o Partido Liberal (PL) lançou, dia 16 de março, na quadra da Mocidade Independente de Padre Miguel, a pré-candidatura de Ramagem à Prefeitura do Rio.

“Eu tenho uma nova missão do nosso capitão (Bolsonaro): cuidar da cidade do Rio de Janeiro” – disse Ramagem. “Vamos encerrar esse desgoverno de esquerda do Rio de Janeiro. Vamos tirar esses soldados do Lula da cúpula do Rio. Eu, como delegado, acho inadmissível que o carioca suporte essa violência. O carioca quer uma educação para habilitar o seu filho, não essa educação cheia de ideologia; quer saúde e transporte eficiente.

“Mas, para isso, precisamos do cidadão de bem. Se o cidadão de bem não se interessar pela política, estamos fadados a ser governados pelo mal. O Rio de Janeiro precisa ser governado com seriedade. Com a confiança do nosso presidente (Bolsonaro), um novo Rio começa aqui e agora” – afirmou.

Ramagem tem experiência em investigações contra tráfico de drogas, atuou na coordenação da Copa do Mundo de 2014, nas Olimpíadas de 2016 e na Rio+20, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, e integrou a equipe da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro. Em 2007, comandou a Operação Metástase, que prendeu 32 pessoas suspeitas de fraudar licitações públicas da Fundação Nacional de Saúde (Funasa).

Em 2017, a PF deflagrou a Operação Cadeia Velha, no estado do Rio de Janeiro, para investigar uma quadrilha liderada pelo ex-governador Sérgio Cabral. “Constata-se que o Poder Executivo, o Legislativo e o Tribunal de Contas, que deveriam ser autônomos, com dever de fiscalização recíproca, na realidade estão estruturados em flagrante organização criminosa com o fim de garantir contínuo desvio de recursos públicos e lavagem de capitais” – Ramagem declarou, à época.

Como se vê, trata-se do homem certo para administrar a Cidade Maravilhosa, a Meca brasileira da bandidagem mas, para isso, terá que convencer a maioria dos eleitores cariocas de que passará quatro anos governando o Rio com tolerância zero com o narcotráfico e bandidagem em geral. Mas como, se ele não disporia sequer de polícia?

Tudo bem, ele tem conhecimentos e experiência para montar, dentro da prefeitura, um setor de inteligência de Primeiro Mundo e fazer convênio com a Polícia Militar do Rio, com a Polícia Federal e com a Interpol. Seu grande aliado para chegar até o eleitor, esteja ele na Zona Sul, na Zona Norte ou nas favelas tomadas pelo tráfico, será a tecnologia.

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